Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2025
Um paciente de 32 anos, sexo masculino, procura atendimento ambulatorial queixando-se de falta de ar, tosse seca e sibilos, que ocorrem principalmente à noite e nas primeiras horas da manhã. O paciente relata que utiliza broncodilatadores de alívio em média 4 vezes por semana e que os sintomas o despertam do sono em pelo menos duas noites por mês. Ele possui um histórico de exacerbações, tendo necessitado de atendimento em serviços de emergência duas vezes no último ano devido à dificuldade respiratória. O paciente também tem um histórico de alergias sazonais e é não fumante. Qual é a abordagem terapêutica recomendada para o controle do quadro clínico atual?
Asma com sintomas noturnos e uso frequente de resgate → Etapa 3 GINA: CI dose baixa + LABA.
O controle da asma persistente requer terapia combinada com corticoide inalatório (anti-inflamatório) e LABA (broncodilatador de longa ação) para reduzir sintomas e risco de crises graves.
A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas. O manejo moderno, guiado pelo GINA (Global Initiative for Asthma), enfatiza que o uso isolado de broncodilatadores de curta ação (SABA) está associado a piores desfechos e maior risco de morte. \n\nPara este paciente de 32 anos com sintomas frequentes e despertares noturnos, a conduta padrão é o Step 3 ou 4 do tratamento. A introdução de corticosteroides inalatórios em dose baixa a moderada associados a um LABA é a abordagem recomendada para estabilizar a doença, reduzir a frequência de sintomas noturnos e, crucialmente, prevenir novas idas à emergência. O histórico de alergias sazonais reforça o componente atópico da doença, que responde muito bem à corticoterapia inalatória.
O paciente apresenta asma não controlada ou parcialmente controlada. Segundo os critérios do GINA, o uso de medicação de alívio > 2 vezes por semana, sintomas noturnos (despertar pelo menos 2 vezes no mês) e o histórico de exacerbações no último ano indicam a necessidade de intensificação do tratamento. Ele já se encontra em um perfil que exige terapia de manutenção regular para controle da inflamação das vias aéreas, indo além do simples uso de broncodilatadores de curta ação sob demanda.
A combinação de um corticosteroide inalatório (CI) com um broncodilatador de longa ação (LABA) ataca as duas frentes da doença: a inflamação crônica e a bronconstrição. O CI reduz o edema da mucosa, a produção de muco e a hiperresponsividade brônquica, enquanto o LABA mantém as vias aéreas abertas por um período prolongado (geralmente 12-24h), melhorando a função pulmonar e prevenindo sintomas noturnos. Estudos mostram que essa associação é superior ao aumento da dose de CI isolado na redução de exacerbações.
A estratégia MART (Maintenance and Reliever Therapy) utiliza uma única combinação de CI + Formoterol tanto para a manutenção diária quanto para o alívio dos sintomas agudos. O Formoterol é um LABA com início de ação rápido (similar ao Salbutamol), o que permite seu uso no resgate. A vantagem é que, toda vez que o paciente usa a medicação para aliviar sintomas, ele também recebe uma dose extra de corticoide, tratando precocemente a inflamação que está gerando o sintoma e reduzindo drasticamente o risco de crises graves.
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