SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2015
Um paciente de vinte anos de idade compareceu a uma unidade básica de saúde informando apresentar, há três meses, tosse e chiados no peito, os quais vêm se agravando progressivamente. Esse quadro tem se manifestado em associação com rinorreia e prurido nasal. O exame físico mostrou edema de cornetos nasais e sibilos expiratórios em ambas as regiões infraescapulares. Com base nesse caso clínico, julgue o item a seguir. Para que se confirme o diagnóstico desse paciente, deverá ser realizado o teste de espirometria.
Diagnóstico de asma é clínico + funcional; espirometria confirma, mas não é o único meio.
Embora a espirometria seja o padrão-ouro para demonstrar a limitação variável ao fluxo aéreo, o diagnóstico de asma pode ser clínico em contextos específicos, e a obrigatoriedade absoluta do exame para 'confirmar' pode ser flexibilizada conforme diretrizes.
A asma é uma doença inflamatória crônica caracterizada por hiperresponsividade das vias aéreas inferiores e limitação variável ao fluxo aéreo. O diagnóstico baseia-se na história clínica de sintomas respiratórios paroxísticos (dispneia, tosse, aperto no peito e sibilância) que pioram à noite ou ao despertar e são desencadeados por alérgenos, exercício ou irritantes. A espirometria desempenha um papel crucial na documentação da obstrução e sua reversibilidade, além de auxiliar na classificação da gravidade e no monitoramento da resposta ao tratamento. Contudo, em crianças ou em locais com recursos limitados, o diagnóstico clínico e a resposta terapêutica são ferramentas validadas. É importante lembrar que a ausência de sibilos no exame físico não exclui asma, dada a natureza intermitente da doença.
Embora as diretrizes (como o GINA) recomendem fortemente a confirmação objetiva da limitação variável ao fluxo aéreo através da espirometria com prova broncodilatadora, em situações de alta probabilidade clínica e impossibilidade de realização imediata do exame, o tratamento pode ser iniciado. Portanto, o termo 'deverá' em questões de prova muitas vezes é considerado incorreto se implicar uma obrigatoriedade absoluta que impeça o manejo clínico inicial.
Uma prova broncodilatadora é considerada positiva quando há um aumento no VEF1 (Volume Expiratório Forçado no primeiro segundo) de pelo menos 12% e, simultaneamente, um aumento absoluto de pelo menos 200 ml em relação aos valores pré-broncodilatador. Isso demonstra a reversibilidade da obstrução, característica fundamental da asma.
A rinite alérgica e a asma são frequentemente manifestações da mesma doença inflamatória das vias aéreas (conceito de 'via aérea única'). A presença de sintomas nasais (prurido, rinorreia, edema de cornetos) aumenta significativamente a probabilidade pré-teste de que os sintomas respiratórios inferiores (tosse, sibilos) sejam decorrentes de asma brônquica.
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