UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2015
Escolar de 8 anos, com asma brônquica, vem em uso contínuo de uma associação de corticosteroide inalado em dose moderada com beta-agonista de longa ação. Em seu histórico, constavam duas crises para as quais necessitou de corticosteroide sistêmico nos últimos 3 meses e salbutamol inalado cerca de 3-4 vezes/semana; durante esse período acordava à noite cerca de 1 vez/semana. Diante desse quadro, assinale a conduta para o tratamento de manutenção.
Asma não controlada com CI + LABA → Considerar adicionar LTRA ou aumentar CI.
O paciente apresenta asma não controlada, apesar do uso de CI em dose moderada e LABA, evidenciado pela necessidade frequente de salbutamol, despertares noturnos e exacerbações. Nesses casos, a estratégia de 'step-up' é indicada, e a adição de um antagonista de leucotrienos é uma opção terapêutica para melhorar o controle da doença, especialmente em crianças.
A asma brônquica é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas que afeta milhões de crianças globalmente. O objetivo do tratamento é alcançar e manter o controle da doença, minimizando sintomas, prevenindo exacerbações e otimizando a função pulmonar. O tratamento de manutenção geralmente envolve corticosteroides inalados (CI), que são a base da terapia anti-inflamatória. No caso apresentado, a criança já utiliza CI em dose moderada associado a um beta-agonista de longa ação (LABA), mas ainda apresenta sinais de asma não controlada: uso frequente de medicação de resgate (salbutamol), despertares noturnos e exacerbações que necessitaram de corticoide sistêmico. Isso indica a necessidade de um 'step-up' na terapia, conforme as diretrizes internacionais como a GINA (Global Initiative for Asthma). Entre as opções de 'step-up' para asma não controlada em crianças, a adição de um antagonista de leucotrienos (LTRA), como o montelucaste, é uma estratégia bem estabelecida. Os LTRAs atuam bloqueando os receptores de leucotrienos, mediadores inflamatórios importantes na fisiopatologia da asma, e podem melhorar o controle dos sintomas e reduzir as exacerbações. Outras opções incluem aumentar a dose do CI ou, em casos mais graves, considerar terapias biológicas. Para o residente, é fundamental saber avaliar o controle da asma e aplicar as estratégias de 'step-up' de forma escalonada e individualizada.
A asma é considerada não controlada se a criança apresenta sintomas diurnos mais de duas vezes por semana, despertares noturnos devido à asma, necessidade de medicação de alívio mais de duas vezes por semana, ou qualquer limitação de atividade devido à asma.
Antagonistas de leucotrienos (como o montelucaste) são apropriados como terapia adicional em pacientes com asma que permanecem sintomáticos apesar do uso de corticosteroides inalados, ou como alternativa em pacientes que não toleram ou não podem usar CI.
Outras opções incluem aumentar a dose do corticosteroide inalado, considerar a adição de tiotrópio (para >6 anos) ou, em casos graves e selecionados, terapias biológicas como o omalizumabe (para asma alérgica grave).
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