FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2021
Menino, 8 anos de idade, com diagnóstico prévio de asma controlada e sensibilização a gatos, em uso domiciliar de corticoide inalatório, em dose baixa. Admitido em Unidade de Emergência com tosse e cansaço, iniciados há cerca de 2 horas, depois de ter ido à casa de uma tia que possui dois gatos de estimação. Ao exame: BEG, orientado, fala satisfatória, com leve tiragem intercostal e subdiafragmática. Sinais vitais: frequência cardíaca: 98 batimentos/minuto; frequência respiratória: 28 incursões/minuto; saturação de O₂: 95%, em ar ambiente. Sibilos expiratórios, bilateralmente. Classifique a crise de asma, considerando os dados clínicos:
Fala normal + SpO2 ≥ 95% + sem esforço respiratório grave = Crise de asma leve.
A classificação da gravidade da crise de asma baseia-se em parâmetros clínicos (fala, consciência, esforço) e funcionais (SpO2), orientando a intensidade do tratamento inicial.
O manejo da exacerbação asmática na infância exige uma avaliação rápida e sistemática para garantir a segurança do paciente. O GINA (Global Initiative for Asthma) recomenda o uso de sinais clínicos simples para triagem e classificação. No caso apresentado, a criança mantém fala satisfatória, bom estado geral, frequência cardíaca normal para a idade e saturação de 95%, o que a enquadra na categoria leve, apesar da presença de sibilos e leve tiragem. A exposição ao alérgeno (gatos) é um gatilho clássico em pacientes sensibilizados, provocando uma resposta inflamatória aguda das vias aéreas. O reconhecimento precoce da gravidade evita tanto a subestimação de casos potencialmente graves quanto o tratamento excessivo de crises leves, otimizando o uso de recursos na emergência pediátrica. O foco deve ser sempre a estabilização clínica e a revisão do plano de manutenção para evitar novas exacerbações.
De acordo com as diretrizes do GINA e da Sociedade Brasileira de Pediatria, uma crise de asma é classificada como leve (ou leve/moderada) quando a criança está consciente, orientada e consegue falar frases completas sem interrupções por dispneia. Ao exame físico, a frequência respiratória está apenas levemente aumentada para a idade, a frequência cardíaca permanece dentro dos limites normais ou levemente elevada, e há pouco ou nenhum uso de musculatura acessória (tiragens leves). Um critério funcional fundamental é a saturação de oxigênio (SpO2) em ar ambiente, que deve estar ≥ 94-95%. A presença de sibilos expiratórios é comum, mas não define gravidade isoladamente.
O tratamento inicial para uma exacerbação leve foca no alívio rápido da bronconstrição. A primeira linha é o uso de beta-2 agonistas de curta duração (SABA), como o salbutamol, administrado preferencialmente via inalador dosimetrado acoplado a um espaçador valvulado (dose de 4 a 10 puffs a cada 20 minutos na primeira hora). O uso de espaçadores é tão eficaz quanto a nebulização e apresenta menos efeitos colaterais. Se houver resposta clínica rápida, a criança pode receber alta com orientações. O uso de corticoide sistêmico (prednisolona 1-2 mg/kg) deve ser considerado se não houver melhora completa após as primeiras doses de SABA ou se a criança já estiver em uso de corticoide inalatório de manutenção.
A oximetria de pulso é um marcador vital de gravidade. Valores de SpO2 abaixo de 92% em ar ambiente indicam uma crise grave ou risco de vida, exigindo hospitalização imediata, oxigenoterapia para manter SpO2 entre 94-98% e tratamento intensivo com SABA, brometo de ipratrópio e corticoides sistêmicos. Valores entre 92% e 94-95% sugerem uma crise moderada. É crucial lembrar que a SpO2 deve ser interpretada no contexto clínico: uma criança com 'tórax silencioso' (ausência de sibilos por fluxo aéreo mínimo) pode manter saturação momentaneamente normal antes de uma falência respiratória catastrófica.
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