Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2021
Caso clínico 1A9-IUm menino de nove anos de idade foi levado à emergência de um hospital por sua mãe devido a crise de asma iniciada havia dois dias. Conforme a mãe, o menino tinha crises desde os quatro anos de idade, tendo chegado a fazer mais de três episódios ao mês. No último ano, teve de ser levado várias vezes ao pronto--socorro, mas não fazia nenhum tratamento preventivo. Ao exame físico, apresentava-se agitado, falando pouco, frequência respiratória de 36 irpm; frequência cardíaca de 120 bpm; SaO2 = 90%. À ausculta pulmonar, apresentava sibilância moderada e disseminada em todo o tórax.No caso clínico 1A9-I, a conduta médica adequada na primeira hora de atendimento ao menino consiste em
Crise de asma moderada/grave → Salbutamol 20/20 min + O2 (alvo 94-98%) + Corticoide sistêmico precoce.
O manejo inicial da crise asmática foca na reversão da obstrução com broncodilatadores e correção da hipoxemia, priorizando a via inalatória.
A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas caracterizada por hiperresponsividade brônquica. Na crise aguda, ocorre broncoespasmo, edema de mucosa e produção de muco, levando à obstrução do fluxo aéreo. O diagnóstico da gravidade é clínico, baseado no uso de musculatura acessória, fala, frequência respiratória e saturação. O tratamento padrão-ouro na primeira hora envolve a administração repetida de beta-2 agonistas de curta duração (SABA). O brometo de ipratrópio pode ser associado em crises graves para potencializar a broncodilatação. A via intravenosa (como salbutamol ou aminofilina) é reservada para casos refratários ao tratamento inalatório máximo, devido ao risco de toxicidade cardíaca e distúrbios hidroeletrolíticos.
O objetivo da oxigenoterapia na crise de asma em crianças é manter a saturação de oxigênio (SaO2) entre 94% e 98%. Valores abaixo de 92% em ar ambiente indicam uma crise grave e necessidade imediata de suplementação de oxigênio e monitorização contínua.
O corticoide sistêmico (oral ou IV) deve ser administrado precocemente em todas as crises moderadas a graves, ou se o paciente não responder rapidamente ao tratamento inicial com beta-2 agonista. Ele reduz a inflamação das vias aéreas e previne a recorrência da crise.
No pronto-socorro, o salbutamol spray com espaçador é preferível à nebulização. A dose habitual é de 4 a 10 jatos a cada 20 minutos na primeira hora. A via inalatória é superior à venosa devido ao menor perfil de efeitos colaterais sistêmicos.
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