Complicações da Asfixia Neonatal e Reanimação Avançada

PSU-GO - Processo Seletivo Unificado de Goiás — Prova 2025

Enunciado

O pediatra é chamado para entrar em uma sala de parto de urgência de um bebê de 38 semanas e 5 dias. A indicação da cesariana é devido à bradicardia fetal grave. Ao romper a bolsa amniótica o obstetra informa que há mecônio espesso. O recém-nascido nasce hipotônico e é levado para o berço aquecido. A reanimação neonatal avançada foi necessária, sendo realizado intubação traqueal, massagem cardíaca, cateterização umbilical e droga. Após a primeira dose de adrenalina intravenosa, o recém-nascido apresenta frequência cardíaca de 98 bpm. O escore de Apgar do quinto minuto de vida foi de 3. De acordo com os relatos, qual é a complicação em médio e longo prazo, para este neonato, que pode ser descartada?

Alternativas

  1. A) Displasia broncopulmonar.
  2. B) Hipertensão pulmonar persistente do recém-nascido.
  3. C) Leucomalácia periventricular.
  4. D) Enterocolite necrosante.

Pérola Clínica

Asfixia neonatal aguda em RN a termo → Risco de EHI, HPPN e NEC; Displasia Broncopulmonar é complicação de prematuridade/oxigenoterapia crônica.

Resumo-Chave

A displasia broncopulmonar (DBP) não é uma sequela direta da asfixia aguda; ela exige critérios de prematuridade e dependência prolongada de oxigênio por lesão pulmonar crônica.

Contexto Educacional

A asfixia perinatal é uma agressão grave ao feto ou recém-nascido decorrente da falta de oxigenação e/ou perfusão tecidual adequada. O caso descreve uma reanimação neonatal avançada (intubação, massagem, adrenalina) em um cenário de bradicardia fetal e mecônio, indicando sofrimento fetal agudo. As complicações multissistêmicas incluem a Hipertensão Pulmonar Persistente do Recém-Nascido (HPPN) por falha na transição circulatória, lesão renal aguda e disfunção miocárdica. A longo prazo, o foco é o monitoramento do neurodesenvolvimento devido ao risco de sequelas permanentes. A exclusão da displasia broncopulmonar baseia-se na idade gestacional e na natureza aguda do insulto, diferenciando-a das patologias crônicas da prematuridade.

Perguntas Frequentes

Por que a displasia broncopulmonar é descartada neste caso?

A displasia broncopulmonar (DBP) é uma doença pulmonar crônica que afeta principalmente recém-nascidos prematuros (especialmente < 32 semanas) que necessitaram de ventilação mecânica e oxigenoterapia prolongada. Ela é definida pela necessidade de oxigênio suplementar aos 28 dias de vida ou 36 semanas de idade pós-concepcional. Um evento de asfixia aguda em um RN a termo (38 semanas) não preenche os critérios fisiopatológicos para DBP.

Quais são as sequelas neurológicas comuns da asfixia grave?

A principal sequela é a Encefalopatia Hipóxico-Isquêmica (EHI), que pode evoluir para paralisia cerebral, atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, epilepsia e deficiências sensoriais. A leucomalácia periventricular, embora mais comum em prematuros, também pode ocorrer em contextos de hipoperfusão cerebral grave no RN a termo.

Como a asfixia pode causar enterocolite necrosante?

Durante um evento de asfixia grave, o organismo prioriza o fluxo sanguíneo para órgãos vitais (cérebro e coração) em detrimento da circulação mesentérica (reflexo de mergulho). Essa isquemia intestinal aguda lesa a mucosa, permitindo a translocação bacteriana e o desenvolvimento de enterocolite necrosante, mesmo em bebês a termo.

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