ASCUS e Actinomyces em Usuária de DIU: Conduta Clínica

FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2026

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 25 anos de idade, nulipara, com vida sexual ativa, faz uso regular de dispositivo intrauterino (DIU) liberador de levonorgestrel, há 12 meses, sem queixas ou intercorrências. Comparece para consulta de rotina apresentando o laudo de sua primeira citologia oncótica cervical, com os seguintes achados: EXAME CITOPATOLÓGICO CONVENCIONAL Metodologia: fixação em álcool 92,8% / spray fixador coloração de Papanicolau. Informes clinicos: Teste de Schiller negativo. Local da coleta: ecto e endocérvice. Adequação da amostra: satisfatória, com presença da junção escamo colunar. Trofismo celular escamoso: normotrófico. Flora bacteriana: aumentada, não classificável, Agentes específicos: Actinomyces. Achados não neoplásicos: alterações inflamatórias. Anormalidades em células epiteliais: ausentes. Conclusão: células escamosas atípicas de significado indeterminado (ASCUS). A paciente encontra se totalmente assintomática, negando dor pélvica, corrimento vaginal ou febre. O exame fisico ginecológico está dentro da normalidade. Com base nos achados do exame, assinale a alternativa CORRETA em relação à conduta

Alternativas

  1. A) Realizar cultura cervical, manter o DIU no local e iniciar tratamento empiricocom doxiciclina 100 mg a cada 12 horas por 21 dias.
  2. B) Retirar o DIU, iniciar metronidazol creme vaginal, indicar uso de contraceptivo oral combinado e repetir a citologia em 6 meses.
  3. C) Manter o DIU, recomendar reavaliação, caso desenvolva dor pélvica ou corrimento, e orientar nova citologia oncótica em 12 meses.
  4. D) Encaminhar para colposcopia, considerando possivel interferência inflamatória no ASC us se normal, manter o DIU; se anormal, retirá lo.

Pérola Clínica

ASCUS + Actinomyces em usuária de DIU assintomática → Manter DIU, repetir citologia em 12 meses = Não requer tratamento imediato.

Resumo-Chave

A presença de Actinomyces na citologia cervical de uma paciente assintomática usuária de DIU, mesmo com ASCUS, geralmente não exige a remoção do DIU ou tratamento antibiótico imediato; a conduta é expectante, com reavaliação clínica e repetição da citologia em 12 meses, a menos que surjam sintomas de infecção pélvica.

Contexto Educacional

A interpretação de achados citológicos cervicais em pacientes usuárias de Dispositivo Intrauterino (DIU), especialmente o DIU liberador de levonorgestrel, requer uma abordagem cuidadosa. A presença de *Actinomyces* spp. na citologia é um achado relativamente comum em usuárias de DIU, ocorrendo em até 30% dos casos, e geralmente reflete uma colonização benigna do trato genital. Na maioria das vezes, não está associada a sintomas ou doença inflamatória pélvica (DIP). Quando a citologia revela *Actinomyces* e células escamosas atípicas de significado indeterminado (ASCUS) em uma paciente assintomática, a conduta é conservadora. Não há indicação para remoção imediata do DIU ou tratamento antibiótico empírico, a menos que a paciente desenvolva sintomas como dor pélvica, corrimento purulento ou febre, que poderiam sugerir uma DIP. A inflamação associada ao *Actinomyces* pode, em alguns casos, mimetizar alterações celulares que levam ao diagnóstico de ASCUS. A recomendação padrão para ASCUS em pacientes assintomáticas, especialmente na presença de *Actinomyces* e uso de DIU, é a repetição da citologia oncótica em 12 meses. Se o ASCUS persistir ou se houver progressão para lesões de alto grau, a colposcopia e biópsia seriam então indicadas. É crucial diferenciar a colonização assintomática de *Actinomyces* de uma infecção clinicamente significativa para evitar intervenções desnecessárias.

Perguntas Frequentes

Qual a conduta inicial para ASCUS em paciente assintomática com DIU e Actinomyces na citologia?

A conduta inicial é manter o DIU, monitorar a paciente para o desenvolvimento de sintomas e repetir a citologia oncótica em 12 meses.

A presença de Actinomyces na citologia cervical de uma usuária de DIU sempre indica tratamento ou remoção do DIU?

Não, a presença de Actinomyces é comum em usuárias de DIU e, na ausência de sintomas de infecção pélvica, não requer tratamento antibiótico ou remoção do DIU.

Quando a colposcopia é indicada em casos de ASCUS?

A colposcopia é indicada se o ASCUS persistir em citologias subsequentes, se houver fatores de risco para lesões de alto grau (como HPV de alto risco positivo), ou se a paciente for sintomática.

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