UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2025
O diagnóstico da ascite quilosa deve ser realizado através da paracentese, na qual existe elevação dos níveis de:
Líquido ascítico leitoso + Triglicerídeos > 200 mg/dL = Ascite Quilosa.
A ascite quilosa é definida pelo extravasamento de linfa rica em gordura para a cavidade peritoneal, confirmada pela dosagem de triglicerídeos no líquido ascítico.
A ascite quilosa é uma forma rara de ascite caracterizada pela presença de linfa na cavidade peritoneal. O aspecto macroscópico é tipicamente leitoso ou opalescente devido à alta concentração de quilomícrons. A paracentese é o exame fundamental para o diagnóstico, permitindo a análise bioquímica do fluido. Além dos triglicerídeos elevados, o líquido costuma apresentar uma contagem elevada de leucócitos com predominância de linfócitos. A investigação etiológica deve ser rigorosa, frequentemente envolvendo exames de imagem como tomografia computadorizada de abdome e pelve para descartar massas retroperitoneais ou linfonodomegalias sugestivas de malignidade.
Em adultos, as causas mais comuns de ascite quilosa são as neoplasias, especialmente os linfomas, que causam obstrução dos canais linfáticos ou da cisterna do quilo. Outras causas importantes incluem cirrose hepática (devido à hipertensão portal e aumento da produção de linfa), traumas cirúrgicos (especialmente cirurgias retroperitoneais ou aórticas), pancreatite e doenças infecciosas como a tuberculose peritoneal.
O diagnóstico de ascite quilosa é classicamente estabelecido quando os níveis de triglicerídeos no líquido ascítico são superiores a 200 mg/dL. No entanto, alguns autores sugerem que valores acima de 110 mg/dL, associados a um aspecto macroscópico leitoso e predominância de linfócitos na citometria, já são altamente sugestivos da patologia.
O tratamento inicial baseia-se em uma dieta hiperproteica e hipolipídica, com a substituição de triglicerídeos de cadeia longa (TCL) por triglicerídeos de cadeia média (TCM). Os TCM são absorvidos diretamente pela veia porta, contornando o sistema linfático abdominal, o que reduz o fluxo de linfa e permite a cicatrização de possíveis fístulas linfáticas.
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