Ascite por Cirrose Hepática: Diagnóstico e Análise

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2024

Enunciado

Um paciente de 52 anos de idade, etilista diário há 23 anos, procurou o pronto-socorro com queixa de aumento importante do volume abdominal e discreto edema em membros inferiores. Ao exame físico, observou-se sinal do piparote positivo, sendo realizada paracentese e exames laboratoriais, com os seguintes resultados: plaquetopenia = 100 mil/mm³; albumina sérica = 2,0 g/dL; INR = 2,1; líquido ascítico com proteína = 0,6 g/dL; celularidade com 300 cél/mm³; e 54% de polimorfonucleares.Tendo em vista esses resultados associados à história clínica, é correto afirmar que se trata de um caso de

Alternativas

  1. A) ascite por cirrose hepática.
  2. B) peritonite bacteriana espontânea.
  3. C) ascite de provável origem neoplásica.
  4. D) peritonite bacteriana secundária.

Pérola Clínica

Ascite por cirrose: GASA alto, proteína ascítica < 2.5 g/dL, PMN < 250 cél/mm³ (se PBE, PMN > 250).

Resumo-Chave

O paciente apresenta sinais clássicos de cirrose hepática descompensada (etilismo crônico, plaquetopenia, INR elevado, hipoalbuminemia). A análise do líquido ascítico com proteína baixa (0.6 g/dL) e PMN < 250 cél/mm³ (162 cél/mm³) é compatível com ascite por cirrose, descartando peritonite bacteriana espontânea e ascite neoplásica.

Contexto Educacional

A ascite é uma complicação comum da cirrose hepática, representando um estágio avançado da doença e um marcador de descompensação. Sua presença indica hipertensão portal significativa e está associada a um pior prognóstico. O diagnóstico correto da causa da ascite é fundamental para o manejo adequado e para a prevenção de complicações graves, como a peritonite bacteriana espontânea (PBE). A fisiopatologia da ascite cirrótica envolve a hipertensão portal, que leva à vasodilatação esplâncnica e subsequente ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona, resultando em retenção de sódio e água. A hipoalbuminemia, comum na cirrose, também contribui para a formação de ascite. A paracentese diagnóstica é essencial para determinar a etiologia da ascite e excluir infecção. O gradiente soro-ascite de albumina (GASA) é o melhor indicador para diferenciar ascite por hipertensão portal de outras causas. O tratamento da ascite cirrótica inclui restrição de sódio, diuréticos (espironolactona e furosemida) e, em casos refratários, paracentese de grande volume ou derivação portossistêmica intra-hepática transjugular (TIPS). A prevenção e o tratamento da PBE são cruciais, pois esta complicação aumenta significativamente a morbimortalidade. Residentes devem dominar a interpretação dos exames do líquido ascítico para um manejo eficaz.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados laboratoriais que sugerem cirrose hepática?

A cirrose hepática pode ser sugerida por plaquetopenia, INR elevado, hipoalbuminemia, e elevação de enzimas hepáticas (embora nem sempre presentes em fases avançadas). A história de etilismo crônico é um fator de risco importante.

Como a análise do líquido ascítico ajuda a diferenciar a causa da ascite?

A análise do líquido ascítico é fundamental. Um gradiente soro-ascite de albumina (GASA) > 1.1 g/dL sugere hipertensão portal (como na cirrose). A contagem de polimorfonucleares (PMN) é crucial para diagnosticar peritonite bacteriana espontânea (PMN ≥ 250 cél/mm³).

Qual a diferença entre peritonite bacteriana espontânea e secundária?

A peritonite bacteriana espontânea (PBE) ocorre sem uma fonte intra-abdominal de infecção, geralmente em pacientes com cirrose e ascite. A peritonite bacteriana secundária é causada por uma perfuração ou infecção intra-abdominal, com múltiplos organismos e PMN muito elevados no líquido ascítico.

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