FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2020
Paciente masculino, 51 anos, etilista, com diagnóstico prévio de Pancreatite Crônica, internou com queixa de dor abdominal. Ao exame físico, não apresentava sinais de hepatopatia crônica, com abdômen pouco distendido, doloroso à palpação epigástrica, sem defesa e com ascite, a qual foi puncionada, com resultado de líquido de aspecto amarelo citrino, com albumina 2,5 g/dl, proteínas totais 4,2 g/dl, células 720/mm3, neutrófilos 324/mm3, amilase 11.457 UI/L e gradiente de albumina soro-ascite 1,0 g/dl. Os exames laboratoriais demonstraram: hemoglobina 13,8 g/dl, hematócrito 43%, tempo de protrombina 13 segundos, alanino-aminotransferase (ALT) 20 UI/L, aspartato-aminotransferase (AST) 10 UI/L, gamaglutamiltranspeptidase 122 UI/L, bilirrubina direta 0,1 mg/dl, bilirrubina indireta 0,4 mg/dl, amilase 750 UI/L, lipase 507 UI/L. PERGUNTA-SE: Qual a etiologia provável da ascite relatada no caso acima e qual a conduta ser realizada?
Ascite pancreática: SAAG < 1,1 g/dL + amilase ascítica > sérica. Tratamento: NPT, drenagem, análogos somatostatina.
A ascite pancreática é uma complicação da pancreatite crônica, caracterizada por extravasamento de líquido rico em enzimas pancreáticas para a cavidade peritoneal. O diagnóstico é confirmado por um gradiente de albumina soro-ascite (SAAG) baixo (< 1,1 g/dL) e amilase ascítica muito elevada, frequentemente maior que a sérica. O tratamento visa reduzir a secreção pancreática e drenar o líquido.
A ascite pancreática é uma complicação rara, mas grave, da pancreatite crônica, frequentemente associada ao etilismo. Ela ocorre devido à ruptura de um ducto pancreático ou de um pseudocisto, resultando no extravasamento de suco pancreático rico em enzimas para a cavidade peritoneal. O diagnóstico é crucial para um manejo adequado e para evitar complicações como infecção. O diagnóstico da ascite pancreática baseia-se na análise do líquido ascítico. Caracteristicamente, apresenta um gradiente de albumina soro-ascite (SAAG) baixo, geralmente menor que 1,1 g/dL, indicando que não é causada por hipertensão portal. O achado mais distintivo é a amilase ascítica extremamente elevada, frequentemente superando os níveis séricos em várias vezes, e proteínas totais elevadas (> 2,5 g/dL). A história de pancreatite crônica e etilismo reforça a suspeita. A conduta terapêutica inicial é conservadora e visa reduzir a secreção pancreática e permitir o fechamento da fístula. Isso inclui jejum, nutrição parenteral total (NPT) para repouso pancreático, e o uso de análogos da somatostatina (como octreotide) que inibem a secreção enzimática. A paracentese de alívio ou drenagem percutânea contínua pode ser necessária. Em casos refratários ou com fístulas persistentes, a abordagem cirúrgica para drenagem interna ou ressecção da fístula pode ser indicada.
A ascite pancreática é diferenciada por um gradiente de albumina soro-ascite (SAAG) baixo (< 1,1 g/dL) e níveis de amilase no líquido ascítico significativamente elevados, frequentemente superiores aos níveis séricos.
A ascite pancreática resulta do extravasamento de suco pancreático rico em enzimas através de uma fístula ou ruptura de um ducto pancreático ou pseudocisto, geralmente em pacientes com pancreatite crônica.
O tratamento inclui medidas para reduzir a secreção pancreática (jejum, nutrição parenteral total, análogos da somatostatina), drenagem do líquido ascítico (paracentese, drenagem percutânea) e, em casos refratários, cirurgia para correção da fístula.
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