HOA - Hospital Oftalmológico do Acre - Rio Branco — Prova 2020
Assinale a alternativa que responde CORRETAMENTE à pergunta abaixo. Paciente do sexo feminino, 67 anos, com hipertensão arterial sistêmica (HAS) e diabética, em uso de enalapril e metformina, procura o posto de saúde por aumento de volume abdominal e plenitude pós-prandial há um mês. Ao exame, PA= 180/90 mmHg; ascite moderada, sem edema de MMII. Qual a causa mais provável da ascite na paciente, com base no caso clínico exposto?
Ascite em idosa sem estigmas de hepatopatia ou IC, com plenitude e HAS descompensada → suspeitar de ascite maligna (ginecológica).
Em pacientes idosas com ascite de início recente, sem sinais clássicos de hepatopatia crônica (como icterícia, aranhas vasculares, varizes esofágicas) ou insuficiência cardíaca (edema de MMII ausente), e com sintomas inespecíficos como plenitude pós-prandial, a ascite maligna, especialmente de origem ginecológica (ovário), deve ser fortemente considerada. A HAS e diabetes são comorbidades, mas não explicam diretamente a ascite sem outros achados.
A ascite é o acúmulo patológico de líquido na cavidade peritoneal, sendo a cirrose hepática a causa mais comum. No entanto, é crucial que estudantes e residentes saibam identificar apresentações atípicas que sugerem outras etiologias, como a ascite maligna, que representa cerca de 10% dos casos. A epidemiologia da ascite varia com a idade e fatores de risco do paciente. A fisiopatologia da ascite maligna envolve a disseminação de células tumorais para o peritônio (carcinomatose peritoneal), levando ao aumento da permeabilidade vascular e produção de líquido. O diagnóstico é guiado pela história clínica, exame físico e análise do líquido ascítico (GASA baixo, citologia positiva). A suspeita deve ser alta em pacientes idosas, com ascite de início recente, sem estigmas de hepatopatia ou insuficiência cardíaca, e com sintomas gastrointestinais inespecíficos. O tratamento da ascite maligna é paliativo e focado no controle dos sintomas, incluindo paracentese de alívio. O prognóstico depende do tipo e estágio do câncer subjacente. É fundamental uma investigação diagnóstica completa para determinar a causa e direcionar o manejo adequado, evitando atrasos no tratamento de condições potencialmente graves.
Sinais de alerta incluem ascite de início recente, sem estigmas de doença hepática crônica ou insuficiência cardíaca, associada a sintomas como plenitude pós-prandial, perda de peso ou massa abdominal palpável.
A diferenciação envolve análise do líquido ascítico (citologia oncótica, gradiente albumina soro-ascite - GASA), exames de imagem (TC de abdome e pelve) e, se necessário, laparoscopia diagnóstica com biópsia.
A hipertensão e diabetes, por si só, não causam ascite. Embora a síndrome nefrótica (comum em diabéticos) possa causar ascite, a ausência de edema de MMII e a PA elevada sugerem outra etiologia. A insuficiência cardíaca também causaria edema periférico.
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