Ascite no Paciente Cirrótico: Manejo e Erros Comuns

SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2021

Enunciado

Em relação ao manejo da ascite no paciente cirrótico, marque a opção ERRADA:

Alternativas

  1. A) O tratamento de primeira linha do paciente cirrótico com ascite deve consistir em restrição de sódio (2g/dia) e diuréticos (espironolacotona associada ou não com furosemida).
  2. B) A dosagem de CA125 do líquido ascítico deve ser realizada para ajudar no diagnóstico diferencial da ascite.
  3. C) A restrição hídrica não é necessária, exceto se o, sódio sérico for menor que 125mmol/L. 
  4. D) A infusão de albumina após a paracentese não é necessária quando o volume retirado é menor que 4 a 5L.
  5. E) Paciente com líquido ascítico com contagem de linfócitos polimorfonucleares igual ou maior que 250 cél/mm³, sem exposição prévia a betalactâmicos e de origem comunitária, deve receber antibioticoterapia empírica com cefalosporina de terceira geração.

Pérola Clínica

CA125 no líquido ascítico NÃO é útil para diagnóstico diferencial de ascite cirrótica.

Resumo-Chave

O CA125 é um marcador tumoral utilizado principalmente em câncer de ovário e não possui utilidade comprovada no diagnóstico diferencial da ascite cirrótica ou na avaliação do líquido ascítico, que é primariamente avaliado por contagem celular, proteínas e gradiente soro-ascite de albumina (GASA).

Contexto Educacional

A ascite é a complicação mais comum da cirrose hepática, indicando descompensação da doença e pior prognóstico. Seu manejo adequado é crucial para melhorar a qualidade de vida e prevenir complicações graves. A fisiopatologia envolve hipertensão portal, vasodilatação esplâncnica e ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona, levando à retenção de sódio e água. O tratamento de primeira linha da ascite cirrótica inclui restrição de sódio na dieta (2g/dia) e o uso de diuréticos, com a combinação de espironolactona e furosemida sendo a mais eficaz. A restrição hídrica é reservada para casos de hiponatremia grave. A paracentese de grande volume é indicada para alívio sintomático, sendo a infusão de albumina recomendada para volumes retirados acima de 5 litros para prevenir disfunção circulatória pós-paracentese. A Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) é uma complicação grave da ascite, caracterizada pela infecção do líquido ascítico sem uma fonte intra-abdominal evidente. O diagnóstico é feito pela contagem de polimorfonucleares (PMN) ≥ 250 cél/mm³ no líquido ascítico. O tratamento empírico com cefalosporinas de terceira geração deve ser iniciado imediatamente em caso de suspeita, sem aguardar resultados de cultura, devido ao alto risco de mortalidade. O CA125 não tem papel no diagnóstico diferencial da ascite cirrótica.

Perguntas Frequentes

Qual o tratamento de primeira linha para ascite em pacientes cirróticos?

O tratamento de primeira linha consiste em restrição de sódio na dieta (2g/dia) e uso de diuréticos, tipicamente uma combinação de espironolactona (antagonista da aldosterona) e furosemida (diurético de alça).

Quando a restrição hídrica é indicada no manejo da ascite cirrótica?

A restrição hídrica geralmente não é necessária no manejo da ascite, sendo indicada apenas em casos de hiponatremia dilucional grave, com sódio sérico inferior a 125 mmol/L.

Qual a conduta inicial em caso de suspeita de Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE)?

Em pacientes com ascite e contagem de polimorfonucleares (PMN) no líquido ascítico igual ou superior a 250 cél/mm³, a conduta inicial é iniciar antibioticoterapia empírica com cefalosporina de terceira geração (ex: ceftriaxone ou cefotaxima), mesmo antes da cultura.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo