UFMA/HU-UFMA - Hospital Universitário da UFMA (MA) — Prova 2015
Um paciente cirrótico por vírus B, de 56 anos, está internado na enfermaria de gastroenterologia com descompensação da ascite e edema de membros inferiores. Não há sinais de encefalopatia hepática e, a análise do líquido ascítico na admissão, há 3 dias, mostrou 56 polimorfonucleares/ml. O GASA é de 1,8 g/dl. O paciente está em uso de furosemida 80 mg/d e espironalactona 100 mg/d. Na visita de hoje, está orientado e sem desconforto respiratório. Desde a internação, o paciente perdeu 200 g de peso. Laboratório da manhã de hoje mostrou: Ureia = 32 mg/dl; Creatinina = 0,9 mg/dl; Sódio = 135 mEq/L; Potássio = 3,2 mEq/L. Com relação ao manejo da ascite, a melhor conduta hoje para esse paciente é:
Ascite cirrótica: se resposta diurética insuficiente (perda peso <200g/dia), aumentar espironolactona antes da furosemida, mantendo proporção 100:40.
Em pacientes cirróticos com ascite e edema de membros inferiores em uso de diuréticos (espironolactona e furosemida), uma perda ponderal de apenas 200g/dia indica uma resposta terapêutica insuficiente. A conduta mais adequada é aumentar a dose de espironolactona, mantendo a proporção de 100mg de espironolactona para 40mg de furosemida, para otimizar a diurese e corrigir o potássio baixo.
A ascite é a complicação mais comum da cirrose hepática, indicando descompensação da doença e pior prognóstico. É o acúmulo de líquido na cavidade peritoneal, resultado de hipertensão portal e retenção de sódio e água. O manejo adequado da ascite é fundamental para prevenir complicações como peritonite bacteriana espontânea e síndrome hepatorrenal. A fisiopatologia da ascite envolve vasodilatação esplâncnica, ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona e do sistema nervoso simpático, levando à retenção renal de sódio e água. O diagnóstico é clínico e confirmado por ultrassonografia. A análise do líquido ascítico (GASA) é crucial para diferenciar ascite por hipertensão portal de outras causas. A suspeita surge em pacientes cirróticos com aumento do volume abdominal. O tratamento da ascite cirrótica envolve restrição de sódio e uso de diuréticos, principalmente espironolactona e furosemida na proporção de 100:40. A perda ponderal é um indicador de resposta. Em casos de ascite refratária ou volumosa, a paracentese de alívio pode ser necessária. O prognóstico da ascite descompensada é reservado, e muitos pacientes necessitam de transplante hepático.
A meta de perda ponderal diária é de 0,5 kg/dia para pacientes com ascite isolada e de 1,0 kg/dia para pacientes com ascite e edema periférico. Uma perda de 200g/dia é considerada insuficiente.
A proporção ideal é de 100 mg de espironolactona para 40 mg de furosemida, visando maximizar a diurese e minimizar os distúrbios eletrolíticos, especialmente a hipocalemia.
A paracentese de alívio é indicada para ascite volumosa e tensa que causa desconforto respiratório ou dor abdominal, ou quando há falha na resposta aos diuréticos e o volume de líquido é grande.
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