HM São José - Hospital Municipal de São José (SC) — Prova 2020
Qual deve ser a meta de perda de peso diária em paciente com ascite de origem cirrótica com diureticoterapia?
Ascite cirrótica com diuréticos → meta de perda de peso diária é 1 kg (ou 0,5 kg sem edema periférico).
Em pacientes com ascite cirrótica e edema periférico, a meta de perda de peso diária com diureticoterapia é de 1 kg. Se o paciente não tiver edema periférico, a meta é mais conservadora, cerca de 0,5 kg/dia, para evitar depleção intravascular e disfunção renal.
A ascite é a complicação mais comum da cirrose hepática, caracterizada pelo acúmulo de líquido na cavidade peritoneal. Sua fisiopatologia envolve hipertensão portal, vasodilatação esplâncnica, ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona e retenção de sódio e água. O manejo da ascite visa aliviar os sintomas, prevenir complicações como peritonite bacteriana espontânea e melhorar a qualidade de vida do paciente. A diureticoterapia é a pedra angular do tratamento da ascite cirrótica, combinando geralmente um antagonista da aldosterona (espironolactona) com um diurético de alça (furosemida). A meta de perda de peso diária é um parâmetro crucial para guiar a terapia diurética e evitar complicações. Em pacientes com ascite e edema periférico, a meta segura e eficaz de perda de peso é de até 1 kg por dia, pois o excesso de líquido no espaço intersticial pode ser mobilizado para o intravascular sem risco significativo de depleção. No entanto, em pacientes com ascite sem edema periférico, a meta deve ser mais conservadora, de aproximadamente 0,5 kg por dia. Uma perda de peso mais rápida nesses casos pode levar à depleção do volume intravascular, resultando em hipotensão, disfunção renal aguda (incluindo síndrome hepatorrenal) e distúrbios eletrolíticos graves. O monitoramento cuidadoso do peso, eletrólitos e função renal é essencial durante a diureticoterapia.
Pacientes com edema periférico podem mobilizar mais líquido para o espaço intravascular sem risco de depleção, permitindo uma perda de peso maior (até 1 kg/dia). Sem edema, a perda deve ser mais lenta (0,5 kg/dia) para evitar hipovolemia e disfunção renal.
A combinação de espironolactona (antagonista da aldosterona) e furosemida (diurético de alça) é a mais utilizada, geralmente na proporção de 100:40 mg, respectivamente.
Uma perda de peso excessivamente rápida pode levar à depleção de volume intravascular, hipotensão, disfunção renal aguda (síndrome hepatorrenal) e distúrbios eletrolíticos, como hiponatremia.
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