PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2020
João Augusto, 48 anos, portador de cirrose alcóolica, com 8 meses de abstinência, procura consulta médica por apresentar aumento progressivo do volume abdominal na última semana. Em seu exame físico, apresenta pressão arterial de 100x60mmHg, FC: 88bpm FR:21ipm, abdome globoso, de grande volume com sinal do piparote positivo. zusência de flapping e seus exames laboratoriais revelam: Albumina: 2,7g/dL, Bilirrubina Total 3,8mg/dL (3,5 de Bilirrubina Direta) e RNI de 2,2. Hemograma: Hemoglobina: 9,2g/dL, Leucócitos de 8254/mm³, Plaquetas: 82000/mm³. Sobre o manejo da ascite nesse paciente, assinale a alternativa CORRETA.
Ascite grau 2 → Restrição de sódio (2g/dia) + Espironolactona (100mg/dia) inicial.
O manejo inicial da ascite moderada foca no bloqueio do sistema renina-angiotensina-aldosterona com espironolactona e na redução da carga de sódio dietético.
A ascite é a complicação mais comum da cirrose e marca a transição para a fase descompensada da doença. Sua formação decorre da hipertensão portal, que gera vasodilatação esplâncnica, redução do volume arterial efetivo e ativação compensatória de sistemas retentores de sódio e água (SRAA e ADH). O tratamento visa reverter esse balanço positivo de sódio. No caso de João Augusto, a ascite é clinicamente detectável (grau 2). A conduta inicial correta envolve a restrição de sódio e o início de espironolactona. É fundamental monitorar a função renal e eletrólitos. A paracentese diagnóstica deve ser realizada em todo paciente internado com ascite ou com ascite de início recente para descartar PBE, independentemente do INR.
Para pacientes com o primeiro episódio de ascite grau 2, a monoterapia com espironolactona na dose de 100 mg/dia é uma opção válida. Alternativamente, pode-se iniciar a terapia combinada com espironolactona 100 mg e furosemida 40 mg, especialmente em casos de ascite recorrente ou volumosa, mantendo sempre a proporção de 100:40 para preservar a calemia.
O objetivo é uma perda de peso de no máximo 0,5 kg por dia em pacientes sem edema periférico e até 1,0 kg por dia naqueles com edema. Perdas superiores a isso (como 1,5-2,0 kg) aumentam significativamente o risco de depleção de volume intravascular, insuficiência renal aguda e encefalopatia hepática.
Não. A recomendação atual é uma restrição moderada de sódio, em torno de 80 mmol/dia (aproximadamente 2g de sódio ou 5g de sal de cozinha). Restrições mais agressivas (<40 mmol/dia) não trazem benefícios adicionais e podem comprometer o estado nutricional do paciente cirrótico, que já é frequentemente desnutrido.
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