Ascite e Derrame Pleural na Cirrose: Análise de Líquidos

Santa Casa de Araçatuba (SP) — Prova 2021

Enunciado

Mulher de 58 anos com diagnóstico de cirrose hepática secundária a colangite biliar primária, apresenta-se anasarcada, com edema 3+/4+ de membros inferiores, derrame pleural bilateral, maior à direita e sinais de ascite ao exame clínico. Apresenta exames com albumina sérica de 2,9 g/dL e globulina sérica de 3,1 g/dL. Assinale a alternativa que representa resultados compatíveis com a albumina no líquido ascítico e proteínas totais no líquido pleural dessa paciente.

Alternativas

  1. A) Albumina na ascite de 2,3; Proteínas totais no líquido pleural de 1,3.
  2. B) Albumina na ascite de 1,2; Proteínas totais no líquido pleural de 5,0.
  3. C) Albumina na ascite de 1,2; Proteínas totais no líquido pleural de 2,0.
  4. D) Albumina na ascite de 2,3; Proteínas totais no líquido pleural de 5,0.

Pérola Clínica

Cirrose + anasarca → ascite com GASA alto (>1,1) e derrame pleural transudativo (proteínas <3,0).

Resumo-Chave

Em pacientes com cirrose hepática e anasarca, a ascite é tipicamente um transudato com baixo teor de albumina no líquido ascítico (GASA > 1,1). O derrame pleural associado (hidrotórax hepático) também é um transudato, com proteínas totais no líquido pleural geralmente abaixo de 3,0 g/dL.

Contexto Educacional

A cirrose hepática é uma doença crônica progressiva do fígado que leva à fibrose e desorganização da arquitetura hepática, resultando em hipertensão portal e disfunção hepatocelular. Complicações como ascite e derrame pleural (hidrotórax hepático) são manifestações comuns e indicam descompensação da doença, impactando significativamente a morbimortalidade dos pacientes. A análise dos líquidos corporais é crucial para o diagnóstico diferencial e manejo. A ascite na cirrose é tipicamente um transudato, resultado da combinação de hipertensão portal (aumento da pressão hidrostática nos capilares esplâncnicos) e hipoalbuminemia (redução da pressão oncótica plasmática). O Gradiente Soro-Ascite de Albumina (GASA) é a ferramenta mais precisa para diferenciar ascite por hipertensão portal (GASA ≥ 1,1 g/dL) de outras causas. Consequentemente, a albumina no líquido ascítico é geralmente baixa, frequentemente < 1,5 g/dL. O derrame pleural na cirrose, conhecido como hidrotórax hepático, ocorre devido à passagem de líquido ascítico da cavidade peritoneal para a pleural através de pequenos defeitos no diafragma. Assim como a ascite, é um transudato, caracterizado por baixo teor de proteínas totais no líquido pleural (geralmente < 3,0 g/dL), LDH baixo e glicose normal. A presença de anasarca e hipoalbuminemia sérica (como 2,9 g/dL na paciente) reforça a natureza transudativa desses derrames.

Perguntas Frequentes

Como o Gradiente Soro-Ascite de Albumina (GASA) é calculado e qual sua importância na cirrose?

O GASA é calculado subtraindo a albumina do líquido ascítico da albumina sérica. Um GASA ≥ 1,1 g/dL é altamente sugestivo de hipertensão portal como causa da ascite, como ocorre na cirrose, indicando um transudato.

Quais as características do líquido pleural no hidrotórax hepático?

O hidrotórax hepático é um derrame pleural transudativo, caracterizado por baixo teor de proteínas totais (geralmente < 3,0 g/dL), LDH baixo e glicose normal, refletindo o extravasamento de líquido ascítico para a cavidade pleural através de defeitos diafragmáticos.

Por que a cirrose hepática causa ascite e derrame pleural?

A cirrose causa ascite e derrame pleural devido à hipertensão portal (aumento da pressão hidrostática) e hipoalbuminemia (diminuição da pressão oncótica), que levam ao extravasamento de líquido para a cavidade peritoneal e, por vezes, para a pleural.

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