Ascite na Cirrose Hepática: Manejo e Tratamento da Ascite Refratária

UNCISAL - Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas — Prova 2015

Enunciado

Na ascite relacionada à cirrose hepática, podemos afirmar que:

Alternativas

  1. A) Pacientes com ascite tensa ou maior do que 5 litros, com necessidade de paracentese, são considerados como portadores de ascite refratária.
  2. B) A paracentese terapêutica, com expansão plasmática utilizando a albumina, é considerada a 1ª opção terapêutica para ascite refratária.
  3. C) O seu tratamento clínico deve se iniciar com restrição dietética de sal e uso de diurético de alça.
  4. D) A válvula de LeVeen é o tratamento de escolha nos casos refratários.
  5. E) O GASA < 1.1 deve ser considerado no diagnóstico da hipertensão portal da cirrose.

Pérola Clínica

Ascite refratária = paracentese terapêutica + albumina (se >5L) como 1ª opção.

Resumo-Chave

A ascite refratária é definida pela falha do tratamento diurético máximo ou pela recorrência rápida da ascite após paracentese. Nesses casos, a paracentese terapêutica de grande volume (com reposição de albumina se >5L removidos) é a primeira linha de tratamento para alívio sintomático, sendo mais eficaz e segura que o aumento indiscriminado de diuréticos.

Contexto Educacional

A ascite é a complicação mais comum da cirrose hepática, indicando um estágio avançado da doença e pior prognóstico. Sua formação está ligada à hipertensão portal, vasodilatação esplâncnica e ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona, levando à retenção de sódio e água. O manejo adequado da ascite é crucial para melhorar a qualidade de vida e prevenir complicações como peritonite bacteriana espontânea (PBE). O tratamento clínico inicial da ascite envolve restrição dietética de sódio e o uso de diuréticos, tipicamente uma combinação de espironolactona e furosemida. No entanto, uma parcela dos pacientes desenvolve ascite refratária, que não responde ao tratamento diurético máximo. Nesses casos, a paracentese terapêutica de grande volume, com reposição de albumina para prevenir a disfunção circulatória pós-paracentese, torna-se a principal estratégia para alívio sintomático. Outras opções para ascite refratária incluem o shunt portossistêmico intra-hepático transjugular (TIPS) e, em casos selecionados, o transplante hepático. A válvula de LeVeen é raramente utilizada devido às altas taxas de complicação. O diagnóstico etiológico da ascite é auxiliado pelo cálculo do Gradiente Albumina Soro-Ascite (GASA), sendo um GASA ≥ 1,1 g/dL altamente sugestivo de hipertensão portal.

Perguntas Frequentes

Como é definida a ascite refratária na cirrose?

A ascite refratária é definida como a ascite que não pode ser mobilizada ou cuja recorrência precoce não pode ser prevenida por doses máximas de diuréticos (espironolactona 400 mg/dia e furosemida 160 mg/dia) ou que se desenvolve rapidamente após paracentese terapêutica.

Qual o papel da albumina após paracentese de grande volume?

A administração de albumina intravenosa é recomendada após paracentese de grande volume (remoção de >5 litros de líquido ascítico) para prevenir disfunção circulatória pós-paracentese, que pode levar a insuficiência renal e hiponatremia dilucional, melhorando o prognóstico do paciente.

O que é o GASA e qual sua importância no diagnóstico da ascite?

O Gradiente Albumina Soro-Ascite (GASA) é calculado subtraindo a concentração de albumina do líquido ascítico da concentração de albumina sérica. Um GASA ≥ 1,1 g/dL indica ascite por hipertensão portal (como na cirrose), enquanto um GASA < 1,1 g/dL sugere outras causas de ascite (como carcinomatose peritoneal ou tuberculose).

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