Manejo da Ascite na Cirrose: GASA e Uso de Albumina

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025

Enunciado

Um paciente de 60 anos com diagnóstico de cirrose por hepatite C é admitido com ascite tensa e sinais de encefalopatia hepática. Durante a paracentese diagnóstica, são obtidos os seguintes resultados do líquido ascítico: • Contagem de leucocitos: 80 células/mm²; • Proteína do líquido ascitico: 0,9 g/dl; • Gradiente de albumina soro-ascite (GASA): 1.3 g/dl; • Creatinina sérica: 1,4 mg/dl; • Sódio sérico: 128 mEq/L. Com base nos achados laboratoriais e clínicos, qual é a conduta INCORRETA?

Alternativas

  1. A) Continuar a restrição de sódio e avaliar necessidade de diuréticos conforme a resposta clínica.
  2. B) Considerar TIPS devido a ascite recidivante e sinais de disfunção hepática.
  3. C) Administrar albumina intravenosa para correção da hipoalbuminemia e melhora do GASA.
  4. D) Evitar paracentese repetida para reduzir o risco de disfunção renal associada.
  5. E) Avaliar possibilidade de transplante hepático como medida definitiva de manejo.

Pérola Clínica

GASA ≥ 1,1 = Hipertensão Portal. Albumina IV não trata hipoalbuminemia sérica, mas previne disfunção pós-paracentese.

Resumo-Chave

A reposição de albumina na cirrose tem indicações precisas (PBE, síndrome hepatorrenal, paracentese >5L) e não deve ser usada apenas para 'corrigir' níveis séricos baixos.

Contexto Educacional

O manejo da ascite exige compreensão da fisiopatologia da hipertensão portal e da vasodilatação esplâncnica. O GASA é a ferramenta diagnóstica padrão-ouro para classificar o líquido ascítico. A conduta incorreta de repor albumina para 'corrigir' exames laboratoriais reflete uma incompreensão das diretrizes da AASLD e EASL. Além disso, a paracentese repetida (de alívio) é frequentemente necessária na ascite tensa, desde que acompanhada de expansão volêmica com albumina se o volume retirado for grande, desmistificando o medo de 'disfunção renal' se a técnica for correta.

Perguntas Frequentes

O que o GASA de 1,3 g/dL indica neste paciente?

Um GASA (Gradiente de Albumina Soro-Ascite) maior ou igual a 1,1 g/dL indica, com alta acurácia (cerca de 97%), que a ascite é decorrente de hipertensão portal. No contexto de um paciente cirrótico, isso confirma que a ascite é secundária à doença hepática crônica e não a outras causas como carcinomatose peritoneal ou tuberculose, onde o GASA seria tipicamente menor que 1,1 g/dL.

Por que a administração de albumina para corrigir hipoalbuminemia está incorreta?

A albumina intravenosa na cirrose não deve ser utilizada para tratar a hipoalbuminemia sérica per se ou para tentar 'melhorar' o GASA. Suas indicações são: prevenção de disfunção circulatória pós-paracentese (quando retirados > 5 litros), tratamento de Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) para prevenir síndrome hepatorrenal, e no manejo da própria Síndrome Hepatorrenal. Usá-la fora desses contextos não traz benefício clínico e aumenta custos.

Qual o papel da restrição de sódio e diuréticos?

A base do tratamento da ascite na cirrose é o balanço negativo de sódio. A restrição dietética (geralmente 2g de sódio/dia) associada ao uso de diuréticos (espironolactona com ou sem furosemida) visa reduzir a sobrecarga hídrica. Em pacientes com encefalopatia, o uso de diuréticos deve ser cauteloso para evitar desidratação e distúrbios eletrolíticos que podem piorar o quadro neurológico.

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