Conduta na Ascite de Início Recente em Cirróticos

FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2021

Enunciado

Homem, 56 anos de idade, com diagnóstico de cirrose hepática de etiologia alcóolica, no ambulatório com queixa, há 1 mês, de aumento progressivo do volume abdominal. Nega perda ponderal quantificada, febre, dispneia ou outros sintomas. Nega uso de medicações e refere estar abstêmio há 3 meses. Ao exame físico: BEG, alerta e orientado no tempo e no espaço. Frequência respiratória = 18 movimentos/minuto; Pressão arterial = 100 x 70 mmHg. Frequência cardíaca = 80 batimentos/minuto. Coração e pulmões, sem alterações. Abdome globoso, normotenso, sinal de piparote positivo, indolor a palpação, sem visceromegalia. Aparelho locomotor sem alterações. Neste momento, em relação a queixa abdominal, deve-se:

Alternativas

  1. A) Iniciar metformina para redução de peso.
  2. B) Realizar paracentese de alívio.
  3. C) Realizar paracentese diagnóstica.
  4. D) Iniciar tratamento empírico com quinolonas.

Pérola Clínica

Ascite nova ou internação por ascite → Paracentese diagnóstica obrigatória (excluir PBE).

Resumo-Chave

Toda ascite de início recente em paciente cirrótico deve ser puncionada para determinar a etiologia (GASA) e descartar infecção subclínica (PBE).

Contexto Educacional

A ascite é a complicação mais comum da cirrose e marca a transição para a fase descompensada da doença, com impacto direto no prognóstico. O manejo inicial foca na exclusão de causas secundárias e complicações infecciosas. A paracentese diagnóstica é um procedimento simples, de baixo custo e alta rentabilidade diagnóstica. A identificação do GASA elevado direciona o tratamento para restrição de sódio e diuréticos, enquanto a detecção de PBE exige antibioticoterapia imediata para reduzir a mortalidade, que é elevada nesses pacientes.

Perguntas Frequentes

Quando realizar paracentese diagnóstica?

A paracentese diagnóstica é mandatória em quatro situações principais: 1) Ascite de início recente (primeiro episódio); 2) Pacientes cirróticos com ascite admitidos no hospital por qualquer motivo; 3) Sinais de peritonite (dor abdominal, febre) ou encefalopatia hepática; 4) Deterioração da função renal ou leucocitose sem foco definido. O objetivo é identificar precocemente a Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE), que pode ser assintomática em até 30% dos casos, e calcular o GASA para confirmar a hipertensão portal.

O que deve ser analisado no líquido ascítico?

A análise inicial deve incluir a contagem global e diferencial de leucócitos (polimorfonucleares > 250/mm³ definem PBE), dosagem de proteínas totais e albumina (para cálculo do GASA), e cultura em frascos de hemocultura à beira do leito. O GASA (Albumina soro - Albumina ascite) ≥ 1,1 g/dL sugere hipertensão portal com 97% de acurácia. Outros testes como citologia oncótica, glicose, LDH e amilase são solicitados conforme a suspeita clínica de neoplasia, perfuração ou pancreatite.

Quais as contraindicações para paracentese?

Existem poucas contraindicações absolutas. A coagulopatia (INR elevado) e a trombocitopenia, comuns na cirrose, não impedem o procedimento, pois o risco de sangramento clinicamente significativo é inferior a 1%. Contraindicações relativas incluem gravidez avançada, bexiga cheia, obstrução intestinal, infecção de pele no local da punção ou aderências abdominais extensas. O uso de ultrassonografia para guiar a punção aumenta significativamente a segurança e a taxa de sucesso do procedimento.

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