Ascite de SAAG Baixo: Investigação e Diagnóstico Diferencial

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem, 62 anos de idade, foi encaminhado para investigação ambulatorial de aumento do volume abdominal. Ele tem antecedentes de hipertensão arterial sistêmica, diabetes melito tipo 2, obesidade e dislipidemia. Há 3 meses, notou aumento progressivo do volume abdominal e evoluiu com sensação de saciedade precoce e perda de 2 kg. Ao exame clínico, apresentou sinais vitais normais, abdome globoso com semicírculos de Skoda e sinal do piparote, não apresentou edema nos membros inferiores, não há outras anormalidades. Foi realizada uma paracentese diagnóstica com saída de líquido amarelo claro com 257 leucócitos (22% de neutrófilos), proteína total 3,1 g/dL, albumina 2,3 g/dL, citologia oncótica negativa.Exames laboratoriais:Hb: 11,1 g/dLLeucócitos: 4.450 células/mm³Plaquetas: 156 mil/mm³Creatinina: 1,53 mg/dLAlbumina: 3,3 g/dLConsiderando as informações, assinale a conduta ideal neste caso.

Alternativas

  1. A) Começar espironolactona por via oral.
  2. B) Solicitar ecocardiograma transtorácico.
  3. C) Solicitar adenosina deaminase no líquido ascítico.
  4. D) Fazer albumina endovenosa por 2 dias.

Pérola Clínica

Ascite com SAAG < 1.1 g/dL e alta proteína → pensar em peritonite tuberculosa ou neoplásica; ADA ascítico é crucial.

Resumo-Chave

O baixo gradiente de albumina sérico-ascítica (SAAG < 1.1 g/dL) e a alta concentração de proteínas no líquido ascítico, associados a sintomas como perda de peso e saciedade precoce, sugerem causas não relacionadas à hipertensão portal, como peritonite tuberculosa ou carcinomatose peritoneal. A investigação com ADA no líquido ascítico é fundamental para o diagnóstico de tuberculose.

Contexto Educacional

A ascite, acúmulo de líquido na cavidade peritoneal, é uma condição comum com diversas etiologias. A avaliação inicial do líquido ascítico, incluindo a dosagem de proteínas e albumina para cálculo do Gradiente de Albumina Sérico-Ascítica (SAAG), é fundamental para direcionar o diagnóstico. O SAAG é o melhor preditor da presença de hipertensão portal, sendo um valor maior ou igual a 1,1 g/dL altamente sugestivo de hipertensão portal, enquanto um valor inferior a 1,1 g/dL aponta para outras causas. Neste caso, o paciente apresenta ascite com SAAG de 1,0 g/dL e proteína total de 3,1 g/dL, caracterizando uma ascite de baixo SAAG e alto teor proteico. Associado a sintomas como perda de peso e saciedade precoce, a suspeita recai sobre causas não relacionadas à hipertensão portal, como carcinomatose peritoneal ou peritonite tuberculosa. A citologia oncótica negativa reduz, mas não exclui, a malignidade. A investigação de peritonite tuberculosa, especialmente em regiões endêmicas, torna-se prioritária. A adenosina deaminase (ADA) no líquido ascítico é um marcador importante para o diagnóstico de peritonite tuberculosa, apresentando alta sensibilidade e especificidade. Outras investigações podem incluir cultura para micobactérias, biópsia peritoneal e exames de imagem. O tratamento adequado depende da etiologia, sendo a espironolactona e furosemida indicadas para ascite cirrótica, enquanto a tuberculose requer terapia específica com múltiplos fármacos.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de ascite com SAAG baixo?

As principais causas de ascite com SAAG baixo (< 1.1 g/dL) incluem carcinomatose peritoneal, peritonite tuberculosa, pancreatite, síndrome nefrótica e outras condições inflamatórias ou infecciosas.

Quando a adenosina deaminase (ADA) deve ser solicitada no líquido ascítico?

O ADA deve ser solicitado no líquido ascítico quando há suspeita de peritonite tuberculosa, especialmente em pacientes com ascite de baixo SAAG, alta proteína e sintomas constitucionais como perda de peso e febre.

Qual a importância do gradiente de albumina sérico-ascítica (SAAG) na avaliação da ascite?

O SAAG é crucial para diferenciar ascite por hipertensão portal (SAAG >= 1.1 g/dL) de ascite por outras causas (SAAG < 1.1 g/dL), direcionando a investigação diagnóstica e o manejo.

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