UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2023
Criança de 2 anos de idade, 36 horas após queda de mesmo nível em que caiu sentada, apresenta febre alta e recusa a deambular. Ao exame de entrada no serviço de pronto atendimento, encontra-se febril (39,1°C), irritada, taquicárdica, com discreto sopro sistólico em bordo esternal esquerdo e dor importante com limitação de movimentos da articulação coxo-femural esquerda. Nesse caso, a primeira hipótese a ser considerada e o exame mais apropriado para a confirmação diagnóstica são, respectivamente,
Criança febril + dor articular + recusa deambular → Artrite séptica até prova em contrário.
Em crianças, a artrite séptica é uma emergência ortopédica que pode levar a sequelas graves se não tratada rapidamente. A febre e a recusa em deambular, associadas à dor articular, são sinais de alerta importantes.
A artrite séptica pediátrica é uma infecção bacteriana grave da articulação, considerada uma emergência ortopédica devido ao risco de destruição articular e sequelas permanentes se o tratamento for atrasado. É mais comum em crianças pequenas e pode ser causada por disseminação hematogênica de uma infecção em outro local. A articulação do quadril é frequentemente afetada, como no caso apresentado. A fisiopatologia envolve a colonização bacteriana da membrana sinovial, levando a uma resposta inflamatória intensa e produção de enzimas que degradam a cartilagem. O diagnóstico é clínico, baseado na tríade de febre, dor articular e limitação de movimento, e laboratorial, com elevação de marcadores inflamatórios (PCR, VHS). O exame definitivo é a artrocentese, que permite a análise do líquido sinovial para identificar o patógeno e guiar o tratamento. O tratamento da artrite séptica é cirúrgico (drenagem articular) e medicamentoso (antibioticoterapia empírica de amplo espectro, ajustada após cultura). O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e início do tratamento. Atrasos podem resultar em necrose da cabeça femoral, osteomielite e deformidades articulares, ressaltando a importância de uma alta suspeição clínica.
Os sinais incluem febre, dor intensa na articulação afetada, recusa em mover o membro ou deambular, e sinais inflamatórios locais como calor, rubor e edema. Em lactentes, pode haver apenas irritabilidade e pseudoparalisia.
O exame mais apropriado é a artrocentese com análise do líquido sinovial, que deve incluir contagem de células, cultura bacteriana, coloração de Gram e dosagem de glicose e proteínas.
A artrite séptica geralmente apresenta um quadro agudo e mais grave, com febre alta e limitação funcional importante. Outras causas como artrite traumática ou reativa tendem a ser menos graves ou ter outros achados clínicos específicos.
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