Artrite Séptica Pediátrica: Diagnóstico e Manejo Urgente

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2022

Enunciado

Escolar, sexo masculino, 5 anos de idade, sem comorbidades prévias, é levado ao Pronto-Socorro por febre de até 39,5ºC e claudicação dolorosa à esquerda há 2 dias. Nega trauma local. Mãe refere também que a criança apresentou quadro de tosse, coriza e odinofagia há 14 dias, já resolvido. Ao exame clínico, criança em regular estado geral, membro inferior esquerdo em flexão, abdução e rotação externa da articulação coxo-femoral (conforme imagem abaixo) com dor intensa à manipulação, membro inferior direito sem limitação funcional e sem dor à manipulação, ausência de outras alterações significativas ao exame clínico. Qual é a conduta indicada com base na hipótese diagnóstica mais provável?

Alternativas

  1. A) Alta hospitalar com anti-inflamatório, orientação de sinais de alarme e reavaliação em 48 a 72 horas.
  2. B) Coleta de FAN, fator reumatoide, anti-DNA, anti-RO, anti-LA, VHS e início de corticoterapia.
  3. C) Realização de eletrocardiograma, ecocardiograma, anti-estreptolisina-O e prescrição de penicilina benzatina.
  4. D) Internação hospitalar, coleta de triagem infecciosa e introdução de ceftriaxona e oxacilina endovenosas.

Pérola Clínica

Criança < 5 anos + febre + claudicação + dor coxo-femoral + quadro viral prévio → Artrite séptica/Osteomielite = Internação + ATB IV.

Resumo-Chave

A febre e claudicação em crianças, especialmente com dor intensa à manipulação do quadril e história de infecção viral prévia, levantam forte suspeita de artrite séptica ou osteomielite. A conduta inicial é internação, investigação infecciosa e antibioticoterapia empírica endovenosa de amplo espectro.

Contexto Educacional

A artrite séptica do quadril em crianças é uma emergência ortopédica que requer diagnóstico e tratamento imediatos para prevenir danos articulares permanentes. É mais comum em crianças pequenas e pode ser precedida por infecções virais ou bacterianas em outras partes do corpo. A apresentação clássica inclui febre, claudicação e dor intensa no quadril, com a criança mantendo o membro em posição antálgica. O diagnóstico diferencial inclui sinovite transitória, osteomielite, artrite reumatoide juvenil e outras condições. A diferenciação é crucial, pois a artrite séptica exige intervenção agressiva. Exames laboratoriais (hemograma, VHS, PCR) e de imagem (ultrassonografia para derrame articular, radiografia para excluir outras patologias ósseas) são fundamentais. A aspiração do líquido sinovial para análise microbiológica é o padrão-ouro para confirmação. A conduta inicial para suspeita de artrite séptica é a internação hospitalar e o início precoce de antibioticoterapia empírica endovenosa de amplo espectro, cobrindo os patógenos mais comuns (Staphylococcus aureus, Streptococcus pyogenes). Ceftriaxona e oxacilina são frequentemente utilizadas. A drenagem cirúrgica do quadril pode ser necessária em casos de grande derrame ou falha do tratamento conservador.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas de artrite séptica do quadril em crianças?

Os principais sinais incluem febre, claudicação, dor intensa à manipulação do quadril, posição antálgica (flexão, abdução e rotação externa) e recusa em apoiar o membro.

Quais exames complementares são indicados na suspeita de artrite séptica do quadril?

Exames incluem hemograma completo, VHS, PCR, hemocultura, radiografia do quadril (para excluir outras causas), ultrassonografia do quadril (para identificar derrame articular) e, se houver derrame, aspiração do líquido sinovial para análise.

Qual a importância dos Critérios de Kocher no diagnóstico da artrite séptica do quadril?

Os Critérios de Kocher (febre, incapacidade de apoiar o peso, VHS > 40 mm/h, contagem de leucócitos > 12.000/mm³) ajudam a estratificar o risco de artrite séptica, sendo que a presença de múltiplos critérios aumenta significativamente a probabilidade.

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