INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022
Um menino com 11 anos de idade apresenta febre diária há 4 dias e claudicação de membro inferior direito e vem usando ibuprofeno desde o início do quadro, sem melhora. Há 1 dia, recusa-se a andar, referindo muita dor em joelho direito, onde notou inchaço e vermelhidão. Refere ainda inapetência e indisposição geral. Tem antecedente de lesões crostosas de mucosa nasal e pele ao redor do nariz há 2 semanas, tendo usado pomada à base de corticoide, sem melhora. Ao exame físico apresentou regular estado geral, corado, hidratado, febril (temperatura = 38 °C), frequência cardíaca: 103 batimentos por minuto, frequência respiratória: 16 incursões respiratórias por minuto, anictérico, acianótico, eupneico, pulsos cheios, boa perfusão periférica. Lesões pustulosas e crostosas em vestíbulo nasal. Joelho direito com edema, calor e intensa dor à mobilização. Restante dos aparelhos sem alterações. Para a elucidação diagnóstica, quais são os exames/ procedimentos indicados?
Criança febre + dor articular aguda + sinais inflamatórios → suspeitar artrite séptica → USG + punção articular.
Em criança com febre, claudicação e sinais inflamatórios agudos em uma articulação, a suspeita de artrite séptica é alta. A ultrassonografia e a punção articular são essenciais para confirmar o diagnóstico e identificar o agente etiológico, permitindo o tratamento precoce e evitando sequelas.
A artrite séptica é uma emergência ortopédica pediátrica que requer diagnóstico e tratamento rápidos para prevenir a destruição articular e sequelas permanentes. É mais comum em crianças pequenas, mas pode ocorrer em qualquer idade. A etiologia mais frequente é bacteriana, com Staphylococcus aureus sendo o principal agente. A infecção geralmente ocorre por via hematogênica, a partir de um foco distante, como as lesões crostosas nasais mencionadas no caso, que podem ser impetigo (Staphylococcus ou Streptococcus). O quadro clínico típico inclui febre, dor intensa na articulação afetada, edema, calor, eritema e limitação funcional, como claudicação ou recusa em apoiar o membro. Em crianças, a apresentação pode ser mais sutil, exigindo alto índice de suspeita. O diagnóstico é clínico, laboratorial (elevação de PCR e VHS, leucocitose) e por imagem. A ultrassonografia é um exame rápido e útil para detectar derrame articular, enquanto a radiografia pode ser normal inicialmente, mas é importante para excluir osteomielite concomitante. A punção articular é o procedimento diagnóstico definitivo e terapêutico, pois permite a análise do líquido sinovial (contagem de células, cultura, coloração de Gram) para identificar o agente etiológico e aliviar a pressão intra-articular. O tratamento consiste em antibioticoterapia empírica intravenosa de amplo espectro, ajustada após os resultados da cultura, e drenagem cirúrgica ou por artroscopia em casos selecionados, especialmente se o líquido sinovial for muito purulento ou se houver falha na resposta à punção.
Sinais de alerta incluem febre, dor articular intensa que impede a mobilização, claudicação ou recusa em apoiar o membro, edema, calor e vermelhidão na articulação afetada.
A punção articular permite a análise do líquido sinovial (celularidade, glicose, proteínas) e a cultura para identificar o agente etiológico, confirmando o diagnóstico e orientando o tratamento antibiótico específico.
A artrite séptica geralmente apresenta início agudo, febre alta e sinais inflamatórios marcados. Diferenciais incluem sinovite transitória (sem febre alta, dor menos intensa), artrite reativa (história de infecção prévia) e osteomielite (dor mais metafisária).
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