UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2021
Menino de 8 anos apresenta marcha claudicante e febre há 5 dias. Exame físico: toxemia, palidez, com edema, hiperemia, dor e limitação ao movimento do joelho direito. Exames laboratoriais: hemograma anemia, leucocitose com desvio à esquerda, proteína C reativa elevada. O diagnóstico mais provável é
Criança com febre, claudicação e sinais flogísticos articulares agudos → Artrite séptica até prova em contrário.
A artrite séptica em crianças é uma emergência ortopédica que requer diagnóstico e tratamento rápidos para evitar sequelas permanentes. A apresentação clássica inclui febre, dor intensa e limitação funcional da articulação afetada, com sinais inflamatórios sistêmicos e locais evidentes.
A artrite séptica pediátrica é uma infecção bacteriana grave da articulação, mais comumente no joelho e quadril, que exige reconhecimento e tratamento imediatos para prevenir danos articulares permanentes e sequelas. Sua incidência é maior em crianças pequenas, mas pode ocorrer em qualquer idade, sendo crucial a suspeita clínica em quadros de febre associada a dor e limitação de movimento articular, especialmente em articulações grandes. A rápida progressão da doença pode levar à destruição da cartilagem e osteomielite, tornando-a uma emergência ortopédica. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado na tríade de febre, dor articular e limitação funcional, corroborado por exames laboratoriais que mostram leucocitose com desvio à esquerda e elevação acentuada de PCR e VHS. A aspiração do líquido sinovial para análise citológica, bioquímica e cultura é o padrão-ouro para confirmação diagnóstica e identificação do agente etiológico, geralmente Staphylococcus aureus. Exames de imagem como ultrassonografia podem auxiliar na detecção de derrame articular. O tratamento consiste em drenagem cirúrgica da articulação (artrotomia ou artroscopia) para remover o pus e desbridar tecidos necróticos, seguida de antibioticoterapia empírica intravenosa de amplo espectro, ajustada após os resultados das culturas e antibiograma. A demora no tratamento pode levar à destruição da cartilagem articular, osteomielite e deformidades, impactando significativamente a qualidade de vida da criança e resultando em morbidade a longo prazo.
Sinais de alerta incluem febre alta, dor intensa na articulação afetada, recusa em apoiar o membro ou claudicação, e sinais inflamatórios locais como edema, calor e hiperemia. A toxemia e a limitação funcional são marcantes.
A conduta inicial envolve estabilização do paciente, coleta de exames laboratoriais (hemograma, PCR, VHS), hemocultura e, idealmente, aspiração do líquido sinovial para análise e cultura. O tratamento empírico com antibióticos intravenosos deve ser iniciado rapidamente após a coleta das culturas.
A artrite séptica geralmente apresenta um quadro mais agudo, com toxemia e marcadores inflamatórios muito elevados (leucocitose, PCR). Artrite reativa e febre reumática tendem a ter um curso mais subagudo ou crônico, com menos sinais de infecção sistêmica aguda e menor gravidade dos sintomas locais.
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