Claudicação Infantil: Investigação de Artrite Séptica e Diagnóstico

CMC - Fundação Centro Médico de Campinas (SP) — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 5 anos de idade, é levado pela mãe ao pronto-atendimento. Ela diz ter observado que, há 4 dias, o filho está mancando para caminhar e que reclamou, algumas vezes, de dor no joelho direito. Refere um episódio de sensação febril não aferida na madrugada. Ao exame, o médico percebe escoriação em joelho direito com crosta. Ao ser questionada, a mãe diz que o paciente sofreu um aqueda de bicicleta há 10 dias, sem demais lesões. A criança está ativa, brincando na maca, sorridente. Considerado essas informações, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Mesmo sem flogose local, nos casos de claudicação e restrição de movimento, a artrite séptica deve ser investigada.
  2. B) A ausência de febre persistente aferida exclui o diagnóstico de complicações mais graves, como artrite séptica ou osteomielite.
  3. C) A presença do trauma local sugere provável infecção por bactérias Gram-negativas.
  4. D) O exame mais específico para diagnóstico da criança é a ultrassonografia.

Pérola Clínica

Claudicação + dor articular + febre (mesmo não aferida) em criança → Sempre considerar e investigar artrite séptica, mesmo sem flogose evidente.

Resumo-Chave

A artrite séptica em crianças é uma emergência ortopédica que requer diagnóstico e tratamento rápidos para evitar sequelas. A claudicação e a dor articular, mesmo com sintomas sistêmicos leves ou inespecíficos (como febre não aferida), devem levantar a suspeita, independentemente da presença de sinais flogísticos clássicos.

Contexto Educacional

A claudicação e a dor articular em crianças são queixas comuns no pronto-atendimento e exigem uma abordagem diagnóstica cuidadosa, pois podem indicar condições benignas ou emergências ortopédicas graves. A artrite séptica é uma infecção bacteriana da articulação que, se não tratada rapidamente, pode levar à destruição articular e sequelas permanentes. Sua incidência é maior em crianças pequenas, e o joelho e o quadril são as articulações mais frequentemente acometidas. A apresentação clínica da artrite séptica em crianças pode ser variável e, por vezes, sutil. Embora febre alta e sinais flogísticos (calor, rubor, edema) sejam clássicos, nem sempre estão presentes. A claudicação, a recusa em apoiar o membro e a dor à mobilização passiva da articulação são sinais importantes. A história de trauma prévio, como uma queda, pode desviar a atenção para uma lesão benigna, mas não exclui a possibilidade de infecção, especialmente se houver uma porta de entrada como uma escoriação. Diante da suspeita de artrite séptica, a investigação deve ser imediata. Exames laboratoriais como hemograma completo, VHS e PCR são úteis, embora inespecíficos. A ultrassonografia é um método rápido e eficaz para detectar derrame articular. A punção articular para análise do líquido sinovial (celularidade, glicose, proteínas, cultura) é o padrão ouro para o diagnóstico etiológico. O tratamento consiste em drenagem articular (cirúrgica ou por punção) e antibioticoterapia empírica intravenosa, ajustada após os resultados da cultura. Residentes devem ter um alto índice de suspeição para artrite séptica em qualquer criança com claudicação e dor articular, para evitar atrasos no tratamento e minimizar o risco de complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para artrite séptica em crianças?

Sinais de alerta incluem claudicação, dor articular (especialmente em quadril ou joelho), febre (mesmo baixa ou intermitente), recusa em apoiar o membro, e irritabilidade. A ausência de flogose local não exclui o diagnóstico.

Como é feito o diagnóstico de artrite séptica em crianças?

O diagnóstico é baseado na clínica, exames laboratoriais (VHS, PCR, hemograma) e exames de imagem (ultrassonografia para derrame articular, radiografia para excluir outras causas). A punção articular com análise do líquido sinovial e cultura é confirmatória.

Quais são os principais diagnósticos diferenciais de claudicação em crianças?

Os diferenciais incluem sinovite transitória do quadril (mais comum), osteomielite, artrite idiopática juvenil, doença de Legg-Calvé-Perthes, epifisiólise da cabeça do fêmur, fraturas ocultas e tumores ósseos. A idade e a apresentação clínica ajudam a guiar a investigação.

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