IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025
Mulher, de 34 anos de idade, comparece à unidade de emergência com queixa de dor e edema em articulações, de caráter migratório, há 5 dias. Atualmente, a articulação que mais a incomoda é o joelho direito, que está edemaciado, vermelho, quente e doloroso. Relatou ter vida sexual ativa, com uso eventual de preservativo e vacinação completa. Ao exame físico, está em bom estado geral, com pressão arterial de 122×80mmHg e frequência cardíaca de 108bpm. Tem edema importante, calor e rubor no joelho direito, que é doloroso à palpação e tem amplitude de movimento limitada pela dor. Apresenta também pústulas em membros inferiores. Além disso, foi visto um edema discreto em tornozelo esquerdo e punho direito. Sem outras alterações. Foi realizada artrocentese diagnóstica, que evidenciou líquido sinovial com 80.000 leucócitos, ainda sem resultado de bacterioscópico ou cultura. Qual é a conduta nesse momento?
Artrite migratória + pústulas + tenossinovite + leucocitose sinovial → Suspeitar de artrite gonocócica, iniciar Ceftriaxone.
O quadro clínico de artrite migratória, tenossinovite, lesões cutâneas pustulosas e história de vida sexual ativa é altamente sugestivo de artrite séptica gonocócica disseminada. A artrocentese com alta contagem de leucócitos confirma o processo inflamatório/infeccioso. O tratamento empírico com ceftriaxone é mandatório devido à gravidade e potencial destrutivo da infecção.
A artrite séptica é uma emergência médica que requer diagnóstico e tratamento rápidos para prevenir a destruição articular e sequelas permanentes. Entre as causas, a artrite gonocócica disseminada (AGD) é a forma mais comum de artrite séptica em adultos jovens sexualmente ativos, especialmente mulheres. A apresentação clássica inclui uma tríade de tenossinovite, dermatite (com lesões pustulosas ou vesiculares) e poliartralgia migratória, que pode evoluir para monoartrite séptica. A história de vida sexual ativa e o uso inconsistente de preservativo são fatores de risco importantes. O diagnóstico é baseado na suspeita clínica, análise do líquido sinovial e culturas. A artrocentese é fundamental, revelando um líquido inflamatório com alta contagem de leucócitos (geralmente >50.000/mm³ com predomínio de neutrófilos). Embora a cultura do líquido sinovial para Neisseria gonorrhoeae possa ser negativa em até 50% dos casos, culturas de sítios mucosos (uretra, cérvix, reto, faringe) são frequentemente positivas e devem ser coletadas. A conduta imediata é iniciar o tratamento antibiótico empírico, geralmente com ceftriaxone intravenoso, devido à alta probabilidade de infecção bacteriana e à necessidade de cobrir N. gonorrhoeae. A drenagem articular, seja por artrocentese de repetição ou cirúrgica, é essencial para remover o líquido purulento, aliviar a pressão intra-articular e reduzir a carga bacteriana, prevenindo danos à cartilagem. O atraso no tratamento pode resultar em destruição articular rápida e irreversível.
Os sinais incluem artrite migratória, tenossinovite (inflamação dos tendões), e lesões cutâneas características como pústulas ou vesículas hemorrágicas, geralmente em tronco e extremidades.
A artrocentese é crucial para obter líquido sinovial para análise, que pode revelar alta contagem de leucócitos (geralmente >50.000 células/mm³), e para realizar bacterioscopia e cultura, identificando o agente etiológico.
O ceftriaxone é um antibiótico de amplo espectro com excelente cobertura contra Neisseria gonorrhoeae, sendo eficaz contra cepas resistentes e atingindo altas concentrações no líquido sinovial, essencial para o tratamento de infecções articulares.
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