UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Mulher de 70 anos refere dor intensa em joelho direito há 2 dias, sem história de trauma prévio, acompanhada de edema e eritema no local. AP: artrite reumatoide soropositiva em remissão há 1 ano. Medicações em uso: leflunomida 20 mg/dia. Exame físico: joelho direito com sinal da tecla presente, amplitude de movimento reduzida e calor local.A principal hipótese diagnóstica e a conduta inicial devem ser:
Artrite reumatoide em uso de imunossupressor + monoartrite aguda = Artrite séptica até prova em contrário.
Em pacientes com artrite reumatoide, especialmente aqueles em uso de imunossupressores como a leflunomida, uma monoartrite aguda com sinais inflamatórios intensos deve levantar forte suspeita de artrite séptica. A conduta inicial é a punção articular para análise do líquido sinovial e início imediato de antibioticoterapia empírica, mesmo antes da confirmação microbiológica.
A artrite séptica é uma emergência ortopédica que pode levar à destruição articular rápida e sequelas permanentes se não tratada prontamente. É mais comum em articulações grandes, como o joelho, e sua incidência é maior em pacientes com fatores de risco, como idade avançada, diabetes, próteses articulares e, notavelmente, doenças reumáticas inflamatórias crônicas, como a artrite reumatoide, especialmente quando em uso de imunossupressores. A suspeita clínica é crucial para um diagnóstico e tratamento eficazes. O diagnóstico da artrite séptica é primariamente feito pela análise do líquido sinovial obtido por punção articular. Achados típicos incluem alta contagem de leucócitos (geralmente >50.000 células/mm³ com predomínio de neutrófilos), baixa glicose e cultura positiva. O Gram pode ser útil para guiar a antibioticoterapia inicial, mas a cultura é o padrão-ouro. Exames de imagem, como ultrassonografia ou ressonância magnética, podem auxiliar na identificação de derrame articular e outras alterações, mas não substituem a punção. O tratamento consiste em antibioticoterapia empírica intravenosa de amplo espectro, ajustada após os resultados da cultura e antibiograma, e drenagem articular, que pode ser por punção de repetição, artroscopia ou artrotomia. A escolha do antibiótico empírico deve cobrir Staphylococcus aureus (o patógeno mais comum) e, dependendo do contexto clínico e fatores de risco, outros gram-positivos e gram-negativos. A duração do tratamento é geralmente de 2 a 4 semanas, com transição para via oral após melhora clínica.
Sinais de alerta incluem monoartrite aguda com dor intensa, edema, eritema e calor local, especialmente em pacientes imunossuprimidos. A presença de febre pode ou não estar presente, mas a dor e a inflamação local são marcantes.
A conduta inicial é a punção articular para coleta e análise do líquido sinovial (celularidade, gram, cultura) e início imediato de antibioticoterapia empírica intravenosa, cobrindo os patógenos mais prováveis, como Staphylococcus aureus.
Pacientes com artrite reumatoide têm maior risco devido à doença em si (sinovite crônica, dano articular), ao uso de medicamentos imunossupressores (como leflunomida) e à maior exposição a procedimentos invasivos, que comprometem a integridade da barreira.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo