Artrite Séptica: Diagnóstico Diferencial e Manejo Urgente

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023

Enunciado

Um homem branco de 56 anos, sexualmente ativo, portador de síndrome metabólica, retorna ao ambulatório de referência 2 semanas após ter sido diagnosticado com artrite gotosa aguda em joelho direito, através de artrocentese com análise do líquido sinovial. Após o diagnóstico, o paciente manteve o uso de colchicina e interrompeu o tratamento com alopurinol. Segundo relato, apresentou melhora nos seus sintomas com o uso do anti-inflamatório não esteroidal prescrito. Ao exame físico, a articulação do joelho direito revela-se novamente bastante inflamada, com intenso rubor, calor e edema, além de impotência funcional. Realiza nova artrocentese, cujos resultados iniciais revelam 120 000 leucócitos/mm³, com 95% de polimorfonucleares. Considerando a situação desse paciente, a melhor explicação para o quadro articular atual é

Alternativas

  1. A) artrite séptica bacteriana. 
  2. B) desenvolvimento de pseudogota local. 
  3. C) re-exacerbação da artrite gotosa aguda.
  4. D) artrite secundária a infecção sexualmente transmissível.

Pérola Clínica

Leucócitos > 50.000/mm³ com > 90% PMN no líquido sinovial → forte suspeita de artrite séptica, mesmo em paciente com gota prévia.

Resumo-Chave

Em um paciente com história de gota, uma exacerbação aguda com sinais inflamatórios intensos e, principalmente, uma análise de líquido sinovial com leucocitose extremamente elevada (>50.000-100.000/mm³) e predomínio de polimorfonucleares, deve levantar forte suspeita de artrite séptica, que é uma emergência médica. A gota e a pseudogota raramente atingem esses níveis de leucócitos.

Contexto Educacional

A artrite séptica é uma emergência ortopédica que pode levar à destruição articular rápida e sepse se não tratada prontamente. É crucial para residentes e estudantes de medicina reconhecer seus sinais e sintomas, especialmente em pacientes com fatores de risco como gota, diabetes ou imunossupressão. A incidência é maior em articulações grandes como joelho e quadril. O diagnóstico definitivo da artrite séptica é feito pela análise do líquido sinovial obtido por artrocentese. Achados como contagem de leucócitos muito elevada (>50.000/mm³, frequentemente >100.000/mm³) com predomínio de polimorfonucleares (>90%), glicose baixa e proteína alta são altamente sugestivos. A coloração de Gram e a cultura do líquido sinovial são essenciais para identificar o agente etiológico. O tratamento envolve antibioticoterapia empírica intravenosa de amplo espectro, ajustada após os resultados da cultura e antibiograma, além de drenagem articular (por artrocentese de repetição, artroscopia ou artrotomia) para remover o pus e reduzir a carga bacteriana. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e início do tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados do líquido sinovial na artrite séptica?

Na artrite séptica, o líquido sinovial tipicamente apresenta contagem de leucócitos muito elevada, geralmente acima de 50.000/mm³, com predomínio de polimorfonucleares (>90%). A glicose costuma estar baixa e a proteína alta.

Como diferenciar uma crise de gota de uma artrite séptica?

A diferenciação é crucial e baseia-se principalmente na análise do líquido sinovial. Embora a gota possa ter leucócitos elevados, raramente atinge os níveis da artrite séptica. A presença de cristais de urato na gota não exclui infecção concomitante.

Qual a conduta inicial em caso de suspeita de artrite séptica?

A conduta inicial inclui artrocentese para análise do líquido sinovial (celularidade, gram, cultura), hemocultura e início imediato de antibioticoterapia empírica intravenosa, cobrindo os patógenos mais prováveis, antes mesmo dos resultados da cultura.

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