Artrite Séptica em Crianças: Diagnóstico e Tratamento Urgente

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2023

Enunciado

Criança de 7 anos de idade, com história de trauma em joelho direito há 3 dias durante jogo de futebol, evolui com febre e dor intensa no joelho, com edema, calor e rubor locais há 24 horas. Sobre o caso descrito, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) Deve-se investigar artrite idiopática juvenil solicitando fator reumatoide e FAN para definição do subtipo de doença.
  2. B) A principal hipótese diagnóstica é fratura, devendo-se imobilizar o membro e prescrever anti-inflamatório não hormonal e protetor gástrico.
  3. C) Deve ser realizada a punção articular e iniciada a antibioticoterapia parenteral com cobertura para estafilococo.
  4. D) Deve-se considerar o diagnóstico de artrite séptica e iniciar o tratamento com cefalexina oral por 4 semanas.
  5. E) Trata-se de artrite pós-traumática, devendo ser realizada ultrassonografia de joelho e iniciado anti-inflamatório não hormonal.

Pérola Clínica

Monoartrite aguda + febre + sinais flogísticos pós-trauma → Artrite Séptica. Conduta = punção articular + ATB parenteral (cobrir S. aureus).

Resumo-Chave

O quadro de monoartrite aguda com febre e sinais inflamatórios intensos após um trauma, especialmente em crianças, é altamente sugestivo de artrite séptica. A conduta imediata e essencial é a punção articular para diagnóstico e drenagem, seguida de antibioticoterapia parenteral empírica com cobertura para Staphylococcus aureus.

Contexto Educacional

A artrite séptica é uma emergência ortopédica que exige diagnóstico e tratamento imediatos para prevenir a destruição articular e sequelas a longo prazo, especialmente em crianças. A apresentação clínica clássica envolve monoartrite aguda (geralmente em grandes articulações como joelho ou quadril), acompanhada de febre e sinais flogísticos locais intensos (dor, edema, calor, rubor). Um histórico de trauma prévio pode ser um fator desencadeante, mas não exclui a infecção. A fisiopatologia envolve a disseminação hematogênica de bactérias para a articulação ou, menos comumente, inoculação direta após trauma ou cirurgia. O Staphylococcus aureus é o patógeno mais frequente em todas as faixas etárias. O diagnóstico é confirmado pela punção articular, que revela líquido sinovial purulento com alta contagem de leucócitos (predomínio de neutrófilos), baixa glicose e cultura positiva. O tratamento consiste em drenagem articular (por punção de repetição ou artrotomia) e antibioticoterapia parenteral empírica imediata, com cobertura para S. aureus, ajustada posteriormente conforme o resultado da cultura e antibiograma. O atraso no tratamento pode levar a danos irreversíveis na cartilagem, osteomielite e deformidades. É fundamental que residentes e profissionais de emergência tenham alta suspeição para artrite séptica e iniciem a conduta adequada sem demora.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da artrite séptica em crianças?

Os principais sinais e sintomas incluem dor intensa na articulação afetada, febre, edema, calor e rubor local, e limitação funcional da articulação. Em crianças pequenas, pode haver irritabilidade e recusa em mover o membro.

Qual a importância da punção articular no diagnóstico e tratamento da artrite séptica?

A punção articular é crucial para o diagnóstico, permitindo a análise do líquido sinovial (contagem de células, cultura, gram) para identificar o agente etiológico. Terapeuticamente, a punção drena o pus e alivia a pressão intra-articular, prevenindo danos à cartilagem.

Qual é o agente etiológico mais comum da artrite séptica em crianças e qual a cobertura antibiótica inicial?

O Staphylococcus aureus é o agente etiológico mais comum. A antibioticoterapia empírica inicial deve ser parenteral e cobrir S. aureus, frequentemente com uma cefalosporina de segunda ou terceira geração (ex: cefuroxima, ceftriaxona) ou vancomicina em áreas com alta prevalência de MRSA.

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