UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Mulher de 70 anos refere dor intensa em joelho direito há 2 dias, sem história de trauma prévio, acompanhada de edema e eritema no local. AP: artrite reumatoide soropositiva em remissão há 1 ano. Medicações em uso: Leflunomida 20 mg/dia. EF: joelho direito com sinal da tecla presente, amplitude de movimento reduzida e calor local. A principal hipótese diagnóstica e a conduta inicial são:
Monoartrite aguda em articulação previamente doente ou imunossuprimido = Artrite Séptica até prova em contrário.
Diante de uma monoartrite aguda com sinais inflamatórios sistêmicos ou locais intensos, a punção articular imediata é obrigatória para excluir infecção bacteriana.
A artrite séptica é uma das poucas emergências verdadeiras na reumatologia e ortopedia. A via de infecção mais comum é a hematogênica. Fatores de risco incluem idade avançada, diabetes, articulações protéticas, artrite reumatoide e estados de imunossupressão. O joelho é a articulação mais frequentemente afetada em adultos. O diagnóstico diferencial de uma monoartrite aguda inclui artrites microcristalinas (gota e pseudogota), artrite reativa e exacerbação de osteoartrite. No entanto, a gravidade da infecção bacteriana exige que ela seja a primeira hipótese a ser excluída. O atraso no tratamento pode levar à anquilose funcional e destruição da cartilagem em menos de 48 horas. O tratamento envolve antibióticos por 2 a 4 semanas e drenagem adequada do material purulento.
A paciente apresenta uma monoartrite aguda (dor intensa, edema, calor e eritema no joelho há 2 dias) em uma articulação previamente acometida por Artrite Reumatoide (AR). Além disso, ela está em uso de Leflunomida, um medicamento modificador do curso da doença (DMARD) que causa imunossupressão. Pacientes com AR têm maior risco de artrite séptica devido ao dano articular prévio e ao uso de imunossupressores. A apresentação súbita e localizada é altamente sugestiva de infecção bacteriana, que é uma emergência médica devido ao risco de destruição articular rápida e sepse.
A análise do líquido sinovial na artrite séptica tipicamente revela um aspecto purulento, com contagem de leucócitos muito elevada (geralmente > 50.000/mm³, com predomínio de polimorfonucleares > 75-90%). A glicose sinovial costuma estar baixa em relação à glicemia plasmática e o lactato elevado. O diagnóstico definitivo é feito pela visualização de bactérias na coloração de Gram ou pelo crescimento em culturas. É fundamental realizar a punção antes do início da antibioticoterapia para aumentar a sensibilidade das culturas.
A conduta inicial consiste na realização imediata da artrocentese (punção articular) para coleta de líquido sinovial para análise citológica, bioquímica, Gram e cultura. Após a coleta, deve-se iniciar antibioticoterapia empírica intravenosa, geralmente direcionada para Staphylococcus aureus (o agente mais comum), ajustando-se o esquema conforme os resultados das culturas. O esvaziamento da articulação (por punções repetidas ou lavagem cirúrgica) também é parte essencial do tratamento para reduzir a carga bacteriana e as enzimas degradativas no espaço articular.
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