Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020
Paciente masculino, 68 anos, procura o pronto-socorro com dor e aumento de volume de joelho esquerdo há 3 dias, com piora progressiva, que impede a deambulação, associado a astenia, anorexia e febre (39ºC). Há 5 anos, recebeu diagnóstico de gota por apresentar podagra a esquerda e hiperuricemia, iniciando tratamento com alopurinol. Há 2 anos, apresentou artrite aguda em joelho esquerdo que melhorou com o uso de colchicina 0,5mg 4 vezes ao dia. Na ocasião, foram observados cristais de urato de monossódio no líquido sinovial. Qual a conduta para esse paciente no pronto socorro?
Artrite aguda + febre + história de gota → descartar artrite séptica com punção e ATB empírico.
Em um paciente com história de gota, mas que apresenta artrite aguda com febre e sinais sistêmicos, a principal preocupação é a artrite séptica, que pode coexistir com a gota. A punção articular para análise do líquido sinovial é imperativa para o diagnóstico diferencial, e o tratamento empírico com antibiótico (como oxacilina para Gram-positivos) deve ser iniciado imediatamente após a coleta.
O paciente apresenta um quadro de artrite aguda em joelho, acompanhado de sintomas sistêmicos como febre alta, astenia e anorexia, em um indivíduo idoso com histórico de gota e hiperuricemia. Embora a gota seja uma causa comum de artrite aguda, a presença de febre e sinais de toxicidade sistêmica levanta uma forte suspeita de artrite séptica, uma emergência médica que pode coexistir com a gota. A artrite séptica é uma condição destrutiva que requer diagnóstico e tratamento imediatos para preservar a função articular e evitar complicações sistêmicas. A conduta inicial e mais importante nesse cenário é a punção articular diagnóstica. A análise do líquido sinovial (contagem de leucócitos com diferencial, coloração de Gram, cultura e pesquisa de cristais) é fundamental para diferenciar artrite séptica de outras causas de artrite, incluindo a crise de gota. É importante ressaltar que a presença de cristais de urato de monossódio não exclui a infecção, pois pacientes com gota têm maior risco de desenvolver artrite séptica. Após a coleta do líquido sinovial para exames, o tratamento antibiótico empírico deve ser iniciado imediatamente, sem aguardar os resultados da cultura, devido à gravidade da artrite séptica. Em adultos, o Staphylococcus aureus é o patógeno mais comum, e a oxacilina (ou vancomicina em áreas com alta prevalência de MRSA ou em pacientes com fatores de risco) é uma escolha apropriada para cobrir Gram-positivos. A ceftazidima, por exemplo, seria mais indicada para cobertura de Gram-negativos, que são menos comuns em artrite séptica primária em adultos sem fatores de risco específicos. A colchicina e corticoides são tratamentos para gota, mas não devem ser a primeira linha em caso de suspeita de infecção.
A presença de febre alta, calafrios, astenia e rápida deterioração do estado geral em um paciente com artrite aguda, mesmo com história de gota, deve levantar forte suspeita de artrite séptica. A punção articular com análise do líquido sinovial é crucial para o diagnóstico diferencial.
A punção articular é essencial para coletar líquido sinovial para análise (contagem de células, cultura, pesquisa de cristais). A presença de cristais não exclui infecção, e a cultura positiva confirma a artrite séptica, guiando o tratamento antibiótico.
A artrite séptica é uma emergência que pode levar à destruição articular rápida. O tratamento antibiótico empírico deve ser iniciado imediatamente após a coleta do líquido sinovial para cultura, sem aguardar os resultados, visando cobrir os patógenos mais comuns, como Staphylococcus aureus.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo