HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2025
Vitorio 66 anos, tem hipertensão arterial sistémica e obesidade. Procurou o pronto-socorro por dor e calor na perna direita, evoluindo com febre e calafrios. Ele foi admitido no hospital com diagnóstico inicial de celulite complicada com abscesso local. Uma hemocultura identificou Staphylococcus aureus sensível à meticilina e ele foi tratado com linezolida por 7 dias e drenagem da coleção. Cinco dias após a alta hospitalar, ele retorna com queixa de dores nos joelhos. O exame físico revela dificuldade de flexão completa dos joelhos por derrame articular. A artrocentese diagnostica dos dois joelhos identificou os seguintes resultados: celularidade de 61 mil com 93% de polimorfonucleares e 7% de monócitos/linfócitos, presença de cristais de pirofosfato na microscopia de luz polarizada, cultura em andamento. Assinale a alternativa com a hipótese diagnóstica apropriada ao caso do paciente e a sua respectiva conduta.
Artrite aguda com líquido sinovial inflamatório e infecção prévia → suspeitar de artrite séptica, mesmo com cristais.
A presença de cristais de pirofosfato não exclui artrite séptica, especialmente em pacientes com fatores de risco como infecção prévia por S. aureus e líquido articular altamente inflamatório. A artrite séptica é uma emergência que requer tratamento imediato com antibióticos e drenagem.
A artrite séptica é uma emergência médica que exige diagnóstico e tratamento rápidos para prevenir a destruição articular e a sepse. É crucial suspeitar dela em pacientes com artrite aguda, especialmente aqueles com fatores de risco como infecções cutâneas recentes, imunossupressão ou idade avançada. A análise do líquido sinovial é a chave diagnóstica, revelando alta celularidade com predomínio de polimorfonucleares. Um desafio diagnóstico ocorre quando há coexistência de artrite por cristais, como a pseudogota (cristais de pirofosfato), que também pode causar um quadro inflamatório agudo. Nesses casos, a presença de cristais não exclui a infecção. A fisiopatologia envolve a semeadura bacteriana da articulação, frequentemente por via hematogênica, sendo o Staphylococcus aureus o agente mais comum. O tratamento da artrite séptica consiste na administração imediata de antibióticos empíricos intravenosos, ajustados após o resultado da cultura e antibiograma, e na drenagem da articulação para remover o pus e reduzir a pressão intra-articular. A drenagem pode ser realizada por artrocentese de repetição, artroscopia ou artrotomia. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e da instituição do tratamento adequado.
A artrite séptica é caracterizada por líquido sinovial com celularidade elevada (>50.000 células/mm³), predominantemente polimorfonucleares (>75-90%), baixa glicose e alta proteína. A cultura do líquido é crucial para a confirmação.
A presença de cristais de pirofosfato não exclui artrite séptica. A pseudogota pode coexistir ou ser um fator de risco para infecção. Em caso de suspeita de infecção, a artrite séptica deve ser tratada como prioridade, com antibióticos e drenagem, enquanto se aguarda a cultura.
Fatores de risco incluem idade avançada, diabetes, imunossupressão, artrite reumatoide, próteses articulares, infecções cutâneas (como celulite), uso de drogas intravenosas e trauma articular prévio.
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