USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020
Homem de 35 anos de idade procurou serviço de emergência por dor em joelho esquerdo há 1 dia. Refere febre e dificuldade à deambulação pela dor. Refere episódios esporádicos de dor lombar, principalmente no fim da tarde. Nega tabagismo, etilismo, uso de drogas e tem vida sexual ativa. Sem outras queixas anteriores. Ao exame: bom estado geral, corado, hidratado, temperatura 38ºC, PA 120x80mmHg, FC 100bpm, FR 24ipm, pulsos radiais palpáveis e simétricos. Joelho esquerdo com calor, edema e limitação da amplitude de movimento, sem hiperemia. Sem outras alterações do restante do exame clínico. Considerando a principal hipótese diagnóstica, qual deve ser o tratamento inicial?
Homem jovem, vida sexual ativa, monoartrite aguda febril → suspeitar artrite gonocócica.
A apresentação de monoartrite aguda com febre em um homem jovem e sexualmente ativo, mesmo sem hiperemia evidente, levanta forte suspeita de artrite séptica, sendo a gonocócica uma etiologia comum e grave que exige tratamento antibiótico empírico imediato.
A artrite séptica é uma emergência médica que exige diagnóstico e tratamento rápidos para prevenir a destruição articular e sequelas permanentes. Caracteriza-se por uma infecção bacteriana na articulação, manifestando-se com dor intensa, edema, calor, limitação de movimento e, frequentemente, febre e calafrios. Em adultos jovens e sexualmente ativos, a Neisseria gonorrhoeae é uma causa comum, especialmente em casos de monoartrite. O diagnóstico é baseado na história clínica, exame físico e, crucialmente, na análise do líquido sinovial obtido por artrocentese. O líquido sinovial séptico tipicamente apresenta alta contagem de leucócitos (geralmente > 50.000 células/mm³ com predomínio de neutrófilos), baixa glicose e cultura positiva. A coloração de Gram pode identificar o organismo em até 50% dos casos. O tratamento da artrite séptica é uma combinação de drenagem articular (por artrocentese repetida ou cirurgia) e antibioticoterapia empírica intravenosa, que deve ser iniciada imediatamente após a coleta das culturas. Para a suspeita de artrite gonocócica, o Ceftriaxone é a escolha de primeira linha, muitas vezes associado a um macrolídeo ou doxiciclina para cobrir Chlamydia trachomatis, uma co-infecção comum. A duração do tratamento varia, mas geralmente é de 2-4 semanas.
Fatores de risco incluem idade avançada, diabetes, uso de drogas intravenosas, imunossupressão, próteses articulares, trauma articular prévio e doenças sexualmente transmissíveis (para artrite gonocócica).
A punção articular é crucial para o diagnóstico, permitindo análise do líquido sinovial (contagem de células, cultura, coloração de Gram) para identificar o agente etiológico e guiar o tratamento antibiótico específico.
O Ceftriaxone é um antibiótico de amplo espectro, eficaz contra Neisseria gonorrhoeae, e é recomendado empiricamente devido à sua alta taxa de sucesso e boa penetração articular, especialmente em casos de suspeita de artrite gonocócica.
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