Monoartrite Aguda Febril: Diagnóstico e Conduta Essencial

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2022

Enunciado

Homem, 60 anos de idade, comparece ao PS com monoartrite de joelho direito e febre de 38ºC há dois dias. Nos últimos dois anos, apresentou episódios recorrentes de artrite de primeira metatarsofalangiana, com duração de 3 a 7 dias. É etilista (três latas de cerveja ao dia) e hipertenso. Está em uso irregular de enalapril 10 mg, hidroclorotiazida 25 mg e alopurinol 300 mg. A melhor conduta nesse caso é

Alternativas

  1. A) prescrever cefuroxima, manter uso diário do alopurinol e colchicina em caso de dor.
  2. B) dar orientações de uso do alopurinol diariamente e controle do ácido úrico.
  3. C) fazer artrocentese e enviar o líquido sinovial para análise por suspeita de artrite infecciosa.
  4. D) prescrever colchicina, anti-inflamatório não hormonal e reavaliar em 48 horas.

Pérola Clínica

Monoartrite aguda + febre → sempre afastar artrite séptica com artrocentese, mesmo com histórico de gota.

Resumo-Chave

Em um paciente com monoartrite aguda e febre, a principal preocupação é a artrite séptica, que é uma emergência médica. Mesmo com histórico de gota, a coexistência de condições é possível, e a artrocentese é essencial para o diagnóstico diferencial e tratamento adequado.

Contexto Educacional

A monoartrite aguda febril é uma emergência reumatológica que exige investigação imediata para excluir artrite séptica. A artrite séptica é uma infecção da articulação que pode levar à destruição articular rápida e sepse, se não tratada prontamente. A epidemiologia mostra que pacientes com comorbidades como diabetes, imunossupressão, próteses articulares ou histórico de gota têm maior risco. O diagnóstico diferencial da monoartrite aguda é amplo e inclui gota, pseudogota, artrite reativa, artrite psoriásica e, crucialmente, artrite séptica. A presença de febre aumenta significativamente a suspeita de infecção. No caso apresentado, o paciente tem histórico de gota e etilismo, além de uso irregular de medicamentos, fatores que podem complicar o quadro e mascarar a infecção. A conduta mais importante é a artrocentese diagnóstica, que consiste na punção da articulação para coleta e análise do líquido sinovial. A análise deve incluir contagem de células com diferencial, pesquisa de cristais (para gota e pseudogota) e cultura com antibiograma. O tratamento da artrite séptica é uma emergência e envolve antibioticoterapia empírica intravenosa de amplo espectro após a coleta do líquido, seguida de ajuste conforme o antibiograma, além de drenagem articular.

Perguntas Frequentes

Quais os sinais de alerta para artrite séptica em um paciente com monoartrite?

Sinais de alerta incluem febre, dor intensa, edema e calor na articulação afetada, além de leucocitose. A rápida progressão dos sintomas é um indicativo importante.

Por que a artrocentese é crucial na monoartrite aguda febril?

A artrocentese é crucial para analisar o líquido sinovial, permitindo diferenciar artrite séptica (contagem alta de leucócitos, predomínio de neutrófilos, cultura positiva) de outras causas, como gota (cristais de urato monossódico birrefringentes negativamente).

Como diferenciar gota de artrite séptica no líquido sinovial?

Na gota, o líquido sinovial apresenta cristais de urato monossódico birrefringentes negativamente. Na artrite séptica, há alta contagem de leucócitos (>50.000/mm³), predomínio de neutrófilos e cultura positiva para bactérias.

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