Artrite Séptica em Transplantados: Diagnóstico e Manejo

HSL PUCRS - Hospital São Lucas da PUCRS (RS) — Prova 2020

Enunciado

Mulher, 42 anos, transplantada renal há 8 meses, chegou à emergência referindo Tax 37,5ºC e dor no joelho esquerdo. Há 5 dias teve um pequeno acidente doméstico: caiu no chão batendo o joelho esquerdo. Ao exame físico, encontrava-se em regular estado geral, confusa, PA 90/60 mmHg, FC 110 bpm, hipocorada, hidratada, eupneica e anictérica. O joelho esquerdo apresentava nítidos sinais flogísticos e dor intensa ao movimento. Entre outros procedimentos, a equipe de emergência solicitou coleta de exames culturais (sangue e urina), artrocentese diagnóstica e início imediato de antibiótico empírico. Em relação ao caso, afirma-se: I. A presença de 50.000 polimorfonucleares/mm³ no líquido sinovial sugere o diagnóstico de artrite séptica. II. Início imediato de antibioticoterapia e drenagem do líquido sinovial são essenciais no manejo do quadro. III. A presença de proteínas e lactato elevada no líquido sinovial são critérios maiores no diagnóstico de artrite séptica bacteriana. Estão corretas as afirmativas

Alternativas

  1. A) I e II, apenas.
  2. B) I e III, apenas.
  3. C) II e III, apenas.
  4. D) I, II e III.

Pérola Clínica

Artrite séptica: >50.000 polimorfonucleares no líquido sinovial + ATB e drenagem essenciais.

Resumo-Chave

Em paciente imunossuprimido com sinais flogísticos articulares e febre, a suspeita de artrite séptica é alta. A contagem de polimorfonucleares no líquido sinovial (>50.000/mm³) é um forte indicativo, e o tratamento imediato com antibióticos e drenagem é crucial para preservar a função articular.

Contexto Educacional

A artrite séptica é uma emergência ortopédica que pode levar à destruição articular e sepse se não for tratada prontamente. Em pacientes imunossuprimidos, como os transplantados renais, o risco de infecções é significativamente maior, e a apresentação clínica pode ser atípica ou mais grave. A suspeita deve ser alta diante de dor articular, sinais flogísticos e febre, mesmo que de baixo grau. O diagnóstico de artrite séptica é confirmado pela análise do líquido sinovial obtido por artrocentese. A presença de mais de 50.000 polimorfonucleares/mm³ é altamente sugestiva de infecção bacteriana, embora valores menores não a excluam, especialmente em imunossuprimidos. A cultura do líquido sinovial é crucial para identificar o patógeno e guiar a terapia antimicrobiana específica, mas o tratamento empírico deve ser iniciado imediatamente após a coleta das amostras. O tratamento da artrite séptica consiste em antibioticoterapia empírica de amplo espectro (ajustada após resultados da cultura e antibiograma) e drenagem do líquido sinovial. A drenagem pode ser realizada por artrocenteses de repetição ou por lavagem cirúrgica, dependendo da articulação e da resposta clínica. A pronta intervenção é vital para prevenir danos cartilaginosos irreversíveis e complicações sistêmicas.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados do líquido sinovial na artrite séptica?

Na artrite séptica, o líquido sinovial tipicamente apresenta uma contagem de leucócitos elevada, geralmente acima de 50.000 células/mm³, com predomínio de polimorfonucleares (>75%). A cultura do líquido sinovial é essencial para identificar o agente etiológico.

Qual a conduta inicial para um paciente com suspeita de artrite séptica?

A conduta inicial inclui a coleta de exames culturais (sangue e líquido sinovial), início imediato de antibioticoterapia empírica de amplo espectro e drenagem do líquido sinovial, seja por artrocentese de repetição ou cirurgia, para aliviar a pressão e remover o pus.

Por que pacientes transplantados têm maior risco de artrite séptica?

Pacientes transplantados renais estão em uso de imunossupressores para prevenir a rejeição do órgão, o que os torna mais suscetíveis a infecções, incluindo artrite séptica, mesmo após traumas leves que podem servir como porta de entrada.

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