Artrite Séptica: Diagnóstico e Conduta de Urgência

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025

Enunciado

Uma mulher de 60 anos, com histórico de Artrite Reumatoide (AR) controlada com metotrexato e prednisona em baixa dose, apresenta-se ao pronto-socorro com dor intensa e inchaço no joelho direito, de início abrupto há dois dias, acompanhados de febre de 38,5°C e calafrios. Ela relata que sua AR nunca causou uma dor tão severa em uma articulação isolada e que a febre surgiu ao mesmo tempo que o inchaço no joelho. No exame físico, o joelho direito está visivelmente edemaciado, quente ao toque e com movimento limitado devido à dor. O hemograma mostrou leucócitos de 16.500/mm (referência: 4.000-10.000/mm²), com 85% de neutrófilos, a proteina C-reativa (PCR) estava em 95 mg/L. (referência: 5 mg/L), a velocidade de hemossedimentação (VHS) em 85 mm/h (referência: <20 mm/h), e a punção articular revelou líquido sinovial turvo com contagem de leucócitos de 85.000/mm² (90% polimorfonucleares), glicose de 30 mg/dL. (referência: próxima à sérica), aguardando-se o resultado da cultura. Qual é o diagnóstico mais provável e qual deve ser o manejo inicial?

Alternativas

  1. A) Reativação da artrite reumatoide no joelho, aumentar a dose de metotrexato e iniciar antiinflamatório não esteroides para controle sintomático, com revisão após 7 dias.
  2. B) Gota monoarticular aguda, administrar colchicina oral.
  3. C) Artrite séptica, iniciar antibióticos intravenosos imediatamente e realizar drenagem articular urgente, com posterior ajuste do antibiótico de acordo com o resultado da cultura.
  4. D) Artrite reativa, administrar anti-inflamatórios não esteroides e acompanhar.
  5. E) Bursite séptica complicando a AR, iniciar antibióticos intravenosos e realizar punção repetida, sem necessidade de drenagem cirúrgica.

Pérola Clínica

Monoartrite aguda + febre + >50.000 leucócitos/mm³ no líquido sinovial = Artrite Séptica até prova em contrário.

Resumo-Chave

A artrite séptica é uma emergência ortopédica; o diagnóstico é clínico e laboratorial (líquido sinovial purulento), exigindo antibioticoterapia imediata e drenagem articular.

Contexto Educacional

A artrite séptica é uma das condições mais destrutivas da reumatologia e ortopedia. A destruição da cartilagem hialina pode ocorrer em menos de 48 horas devido à liberação de enzimas proteolíticas pelos neutrófilos e pelas próprias bactérias. O joelho é a articulação mais comumente afetada em adultos. O manejo exige rapidez. Após a artrocentese diagnóstica, deve-se iniciar antibióticos que cubram Gram-positivos (como Oxacilina ou Vancomicina) e, dependendo do contexto, Gram-negativos. A drenagem é essencial, pois o antibiótico sozinho tem dificuldade de penetrar em uma articulação sob alta pressão e com debris purulentos.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios para diagnóstico de artrite séptica no líquido sinovial?

O achado clássico é um líquido turvo ou purulento com contagem de leucócitos geralmente superior a 50.000/mm³ (frequentemente > 100.000/mm³) com predomínio de polimorfonucleares (>90%). Outros marcadores incluem glicose muito baixa (abaixo de 50% da glicemia sérica) e lactato elevado. A cultura é o padrão-ouro, mas o tratamento não deve esperar o resultado.

Por que pacientes com Artrite Reumatoide têm mais risco?

Pacientes com AR possuem articulações previamente danificadas, o que facilita a colonização bacteriana via hematogênica. Além disso, o uso de imunossupressores (como metotrexato) e corticoides (como prednisona) mascara sinais sistêmicos de infecção e prejudica a resposta imune local, tornando a artrite séptica uma complicação temida.

Qual a conduta imediata na suspeita de artrite séptica?

A conduta baseia-se no tripé: 1) Estabilização e coleta de hemoculturas/líquido sinovial; 2) Antibioticoterapia intravenosa empírica (geralmente cobrindo S. aureus); 3) Drenagem urgente da articulação (seja por artrotomia, artroscopia ou punções repetidas) para reduzir a pressão intra-articular e a carga enzimática que destrói a cartilagem.

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