Artrite Séptica: Diagnóstico e Manejo em Pacientes Diabéticos

UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2025

Enunciado

Paciente masculino, de 55 anos, veio à Emergência por dor no joelho direito, iniciada há 2 dias, e sensação de febre (não aferida) nas últimas 12 horas. Negou trauma e episódios semelhantes prévios. Informou ser portador de hipertensão arterial sistêmica e diabetes melito tipo 2 em tratamento com hidroclorotiazida e metformina. Ao exame físico, constataram-se artrite com eritema e dor à mínima mobilização do joelho direito, úlcera secretiva no hálux direito e eritema de dorso do pé direito. Em relação à principal hipótese diagnóstica, assinale a assertiva correta.

Alternativas

  1. A) Na análise do líquido sinovial, espera-se encontrar celularidade aumentada, mesmo com pesquisa direta de bactérias e cultura negativas.
  2. B) O paciente deve receber anti-inflamatório não esteroidal intravenoso e, após melhora, alta com colchicina até o retorno ambulatorial.
  3. C) A infiltração intra-articular com glicocorticoide está indicada por apresentar melhor perfil de segurança sistêmico, levando-se em consideração as comorbidades.
  4. D) O tratamento antimicrobiano deve ser iniciado conforme resultado da cultura, levando-se em consideração o perfil de sensibilidade identificado.

Pérola Clínica

Artrite monoarticular aguda + febre + úlcera pé diabético → Artrite séptica até prova em contrário.

Resumo-Chave

A apresentação de artrite monoarticular aguda com sinais inflamatórios sistêmicos em paciente diabético com úlcera no pé sugere fortemente artrite séptica. A análise do líquido sinovial é crucial, e mesmo com cultura negativa, a celularidade muito elevada (>50.000 leucócitos/mm³) é altamente indicativa de infecção.

Contexto Educacional

A artrite séptica é uma emergência médica que requer diagnóstico e tratamento rápidos para prevenir a destruição articular permanente. É uma infecção da articulação sinovial, geralmente bacteriana, que pode ocorrer por disseminação hematogênica, inoculação direta ou extensão de uma infecção adjacente. Pacientes com diabetes mellitus, como o caso apresentado, têm um risco aumentado de infecções devido a fatores como imunossupressão, neuropatia e doença vascular periférica, que podem facilitar a entrada de patógenos, como a úlcera secretiva no hálux. A apresentação clínica típica inclui dor articular intensa, eritema, calor, edema e limitação funcional, frequentemente acompanhada de febre e calafrios. O joelho é a articulação mais comumente afetada. O diagnóstico definitivo é feito pela análise do líquido sinovial, obtido por artrocentese. Achados característicos incluem alta celularidade (geralmente >50.000 leucócitos/mm³), com predomínio de neutrófilos (>75%), baixa glicose e coloração de Gram e cultura positivas. No entanto, é crucial notar que a cultura pode ser negativa em até 30% dos casos, especialmente se houver uso prévio de antibióticos ou infecção por organismos de crescimento lento, mas a celularidade elevada ainda é um forte indicativo. O tratamento da artrite séptica envolve antibioticoterapia empírica intravenosa de amplo espectro, iniciada após a coleta do líquido sinovial e antes dos resultados da cultura, e drenagem da articulação (por artrocentese de repetição ou artroscopia/artrotomia). A escolha do antibiótico deve cobrir os patógenos mais prováveis (Staphylococcus aureus é o mais comum) e ser ajustada conforme a cultura e o perfil de sensibilidade. O atraso no tratamento pode levar a sequelas graves, como osteomielite, destruição articular e sepse.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados clássicos no líquido sinovial de artrite séptica?

O líquido sinovial na artrite séptica tipicamente apresenta alta celularidade (>50.000 leucócitos/mm³), predominantemente neutrófilos (>75%), baixa glicose e coloração de Gram positiva em cerca de 50-70% dos casos, com cultura positiva em 70-90%.

Por que a artrite séptica é uma emergência médica?

A artrite séptica é uma emergência devido ao risco rápido de destruição da cartilagem articular, levando a danos permanentes, dor crônica e perda de função. O tratamento precoce com antibióticos e drenagem é essencial.

Como o diabetes melito influencia o risco e a apresentação da artrite séptica?

Pacientes diabéticos têm maior risco de infecções devido à imunossupressão, neuropatia e doença vascular. A presença de úlceras nos pés pode ser uma porta de entrada para bactérias, e a apresentação da artrite séptica pode ser atípica ou mais grave.

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