SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2025
Um menino de 9 anos de idade queixa-se de dor intensa no quadril direito há dois dias. A mãe relatou que a criança caiu da bicicleta há uma semana e, desde então, vem apresentando choro ao tentar movimentar a perna direita e relutância em deambular. Ao exame, foram verificados edema, calor e rubor no quadril direito, com limitação de flexão e rotação da articulação. Ausculta pulmonar e exame abdominal mostraram-se normais. Quanto aos sinais vitais, apresentou temperatura = 38.6 °C, FC = 124, FR = 28, SatO2 = 96%. O hemograma indicou Hb = 13, hematocrito = 42,1, leucócitos = 16.000/mm 3, segmentados = 67%, linfócitos = 23%, eosinófilos = 3%, bastões = 0, monócitos = 7, plaquetas = 322.000 e VHS = 48. Qual a principal hipótese diagnóstica para esse paciente?
Febre + Incapacidade de deambular + Leucocitose + VHS ↑ = Artrite Séptica até prova em contrário.
A artrite séptica é uma emergência ortopédica; o diagnóstico precoce previne a necrose avascular da cabeça femoral por aumento da pressão intra-articular.
A artrite séptica do quadril na infância é uma condição grave que exige alta suspeição clínica. A fisiopatologia envolve a disseminação hematogênica de bactérias para a sinóvia altamente vascularizada. O acúmulo de exsudato purulento no espaço articular fechado do quadril aumenta rapidamente a pressão intra-articular, o que pode comprimir os vasos epifisários e levar à necrose avascular da cabeça do fêmur em poucas horas. O diagnóstico diferencial com a sinovite transitória é o maior desafio; esta última geralmente segue uma infecção viral respiratória, apresenta sintomas mais leves e exames laboratoriais normais ou discretamente alterados. O uso dos Critérios de Kocher auxilia na decisão de realizar a punção articular, que é mandatória quando a suspeita de infecção bacteriana é alta.
São quatro critérios clínicos e laboratoriais usados para diferenciar artrite séptica de sinovite transitória: 1) Febre > 38,5°C; 2) Incapacidade de suportar peso (claudicação ou recusa a andar); 3) VHS > 40 mm/h; 4) Leucocitose > 12.000/mm³. A presença de 3 ou 4 critérios indica uma probabilidade > 90% de artrite séptica.
O Staphylococcus aureus é o patógeno mais frequente em todas as faixas etárias pediátricas. Em crianças menores de 2 anos, a Kingella kingae tem ganhado importância diagnóstica. Outros agentes incluem Streptococcus pyogenes e Streptococcus pneumoniae.
O paciente deve ser internado para realização de artrocentese diagnóstica (padrão-ouro) com análise do líquido sinovial (gram, cultura, citometria). Confirmada a infecção, o tratamento envolve drenagem cirúrgica urgente (lavagem articular) e antibioticoterapia intravenosa prolongada.
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