PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2022
Mulher, 50 anos de idade, procura atendimento ambulatorial por dores em articulações das mãos. As dores foram iniciadas há 8 meses e são acompanhadas de rigidez matinal. De antecedentes refere hipotireoidismo, em uso de levotiroxina. Ao exame físico, sinais vitais e ausculta sem alterações. Notam-se edema e dor à movimentação passiva das articulações interfalangianas proximais em ambas as mãos, inclusive dos polegares, além de punhos. Realizado fator reumatoide, reagente. Frente ao caso,A fisiopatologia mais importante do diagnóstico mais provável envolve:
Poliartrite simétrica + Rigidez matinal > 30 min + Sinovite = Artrite Reumatoide.
A Artrite Reumatoide é uma doença inflamatória crônica sistêmica cuja principal característica é a sinovite persistente, levando à destruição articular.
A Artrite Reumatoide (AR) é o protótipo da poliartrite inflamatória crônica, afetando preferencialmente pequenas articulações de mãos e pés de forma simétrica. Sua fisiopatologia centra-se na membrana sinovial, que sofre uma agressão autoimune mediada por linfócitos T CD4+ (Th1 e Th17), células B e macrófagos. Esse processo transforma a sinóvia normal em um tecido hiperplásico e agressivo (sinovite crônica). A cascata inflamatória envolve citocinas cruciais como o TNF-alfa, IL-1 e IL-6, que perpetuam a inflamação sistêmica e local. O edema e a dor à movimentação passiva das interfalangianas proximais e punhos, descritos no caso, são sinais diretos dessa sinovite. O tratamento precoce com Drogas Modificadoras do Curso da Doença (MMCDs/DMARDs), como o metotrexato, visa interromper essa sinovite antes que ocorra a formação do pannus e a consequente destruição articular irreversível.
O pannus é um tecido de granulação inflamatório hipertrófico e invasivo que se forma a partir da membrana sinovial. Ele é composto por sinoviócitos hiperplásicos, vasos sanguíneos neoformados e um infiltrado denso de células inflamatórias. O pannus produz enzimas proteolíticas (metaloproteinases) que degradam ativamente a cartilagem articular e o osso subcondral, resultando nas erosões ósseas típicas da doença.
A rigidez matinal reflete o acúmulo de fluido inflamatório (edema) no espaço articular e nos tecidos periarticulares durante o repouso prolongado (sono). Diferente da osteoartrite, onde a rigidez é fugaz, na Artrite Reumatoide ela dura geralmente mais de 30 a 60 minutos e melhora com o movimento, que auxilia na redistribuição e drenagem desse exsudato inflamatório.
Não isoladamente. O Fator Reumatoide (FR) tem sensibilidade de 70-80%, mas baixa especificidade, podendo estar presente em infecções crônicas (Hepatite C, Endocardite), outras doenças autoimunes (Sjögren, Lupus) e até em idosos saudáveis. O diagnóstico de Artrite Reumatoide é clínico, baseado no padrão de acometimento articular, tempo de evolução e marcadores inflamatórios, sendo o anticorpo anti-CCP mais específico.
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