Diagnóstico Diferencial: Artrite Reumatóide vs Gota

UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2015

Enunciado

Um paciente de trinta e cinco anos de idade compareceu a um ambulatório de clínica médica apresentando quadro clínico constituído por episódios intermitentes de dor, rigidez, edema e calor nos joelhos e nos tornozelos. O paciente relatou, ainda, que esses sinais e sintomas ocorriam pela manhã e duravam cerca de quatro horas. No exame físico, constatou-se que o paciente apresentava dor associada a sinais flogísticos na articulação do joelho direito. No prontuário do paciente, o resultado do hemograma indicava hemoglobina de 11 g/dL, hematócrito de 34%, hemácias de 4.000.000/mm³, leucócitos com número absoluto e diferencial normal para o sexo e faixa etária do paciente, plaquetas de 250.000/ mm³ e VHS de 90 mm/h.Com base nesse caso clínico, julgue o item que se segue.O comprometimento de grandes articulações apresentado pelo paciente em questão é sugestivo de diagnóstico de gota.

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Rigidez matinal > 1h + grandes articulações + VHS ↑ → Artrite Inflamatória (ex: AR).

Resumo-Chave

A gota costuma ser uma monoartrite aguda e episódica. Rigidez matinal prolongada (>1h), anemia e VHS muito elevado sugerem processos inflamatórios sistêmicos crônicos, como a Artrite Reumatóide.

Contexto Educacional

O diagnóstico diferencial das artrites exige uma análise minuciosa do padrão de acometimento (mono, oligo ou poliarticular), simetria, tamanho das articulações envolvidas e sintomas sistêmicos. A Artrite Reumatóide (AR) é uma doença autoimune sistêmica que classicamente causa poliartrite simétrica de pequenas e grandes articulações, mas pode iniciar de forma atípica. A presença de rigidez matinal superior a uma hora é um dos critérios mais sensíveis para inflamação sinovial crônica. A gota, por sua vez, é uma artropatia por depósito de cristais de urato monossódico. Embora possa se tornar poliarticular em estágios avançados (gota tofácea crônica), suas crises iniciais são autolimitadas e raramente causam rigidez matinal tão prolongada ou anemia de doença crônica. O VHS de 90 mm/h e a anemia no paciente de 35 anos reforçam a necessidade de investigar doenças reumáticas autoimunes ou até processos infecciosos/neoplásicos, tornando o diagnóstico de gota improvável para este cenário específico.

Perguntas Frequentes

Qual o significado da rigidez matinal prolongada na reumatologia?

A rigidez matinal é um sintoma cardeal de doenças articulares inflamatórias. Quando dura mais de 1 hora (neste caso, relatada como 4 horas), é altamente sugestiva de Artrite Reumatóide (AR). Ela resulta do acúmulo de edema inflamatório no tecido sinovial e periarticular durante o repouso noturno. Em contraste, doenças degenerativas como a osteoartrite apresentam rigidez fugaz, geralmente inferior a 30 minutos.

Por que o caso clínico apresentado não é típico de Gota?

A gota clássica manifesta-se como uma monoartrite aguda, extremamente dolorosa, com pico de intensidade em menos de 24 horas, frequentemente acometendo a primeira metatarsofalangeana (podagra). O caso descreve episódios intermitentes em joelhos e tornozelos com rigidez matinal de 4 horas e anemia associada, o que aponta para uma artropatia inflamatória crônica sistêmica, e não para o padrão paroxístico e tipicamente monoarticular da gota inicial.

Como interpretar o hemograma e o VHS neste contexto?

O paciente apresenta anemia normocítica e normocrômica (Hb 11 g/dL) e VHS significativamente elevado (90 mm/h). Esse padrão é característico da 'anemia de doença crônica', mediada pela hepcidina em estados inflamatórios persistentes. O VHS elevado reflete o aumento de proteínas de fase aguda (como fibrinogênio), corroborando um estado inflamatório sistêmico que é comum na Artrite Reumatóide e outras colagenoses, mas menos comum de forma persistente na gota intercrítica.

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