INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2016
Uma mulher com 48 anos de idade chega ao Centro de Saúde com história de dor e edema nas articulações interfalangeanas proximais do 3º e 4º dedos, metacarpofalangeanas, metatarsofalangeanas e nos pulsos, de comprometimento simétrico, com cerca de 3 meses de evolução e melhora parcial com uso de ibuprofeno de forma irregular. A paciente relata rigidez matinal, com duração de 1 hora e 30 minutos, e que vem evoluindo há aproximadamente 6 meses com fraqueza, mialgia, hiporexia, emagrecimento, bem como tosse seca e dispneia aos grandes esforços. Nega febre e outros sintomas. Ao exame clínico, a paciente encontra-se hipocorada (+/4+), em bom estado geral; linfonodos cervicais anteriores com cerca de 1,0 cm, livres, de consistência fibroelástica, sem sinais flogísticos. Observam-se edema, dor, calor e limitação de movimento das articulações descritas; ausência de deformidades articulares; limitação discreta de movimento das articulações descritas; dolorimento e crepitações nas articulações temporomandibulares; crepitações finas discretas, holoinspiratórias, em ambos os hemitoraces. Nos demais aspectos do exame clínico não se observam alterações significativas. Com base no quadro clínico descrito, é correto afirmar que:
Artrite simétrica em pequenas articulações + rigidez matinal > 1h = Artrite Reumatoide.
O diagnóstico de AR baseia-se no padrão de acometimento articular (simétrico, pequenas articulações), duração dos sintomas e marcadores inflamatórios/sorológicos.
A Artrite Reumatoide (AR) é uma doença inflamatória crônica autoimune caracterizada por sinovite persistente. Os critérios de classificação ACR/EULAR 2010 focam na identificação precoce, pontuando o número e tipo de articulações envolvidas, sorologia (Fator Reumatoide e Anti-CCP), reagentes de fase aguda (VHS e PCR) e duração dos sintomas (maior ou menor que 6 semanas). Além do quadro articular, a AR pode apresentar manifestações extra-articulares significativas, como nódulos reumatoides, vasculite, envolvimento pulmonar (doença intersticial) e síndrome de Sjögren secundária. O tratamento baseia-se no uso de DMCDs (como Metotrexato) para induzir a remissão e prevenir a incapacidade funcional, sendo os AINEs e corticoides utilizados apenas como terapia adjuvante ou de ponte.
A Artrite Reumatoide (AR) tem predileção por pequenas articulações de forma simétrica, especialmente as metacarpofalangeanas (MCF), interfalangeanas proximais (IFP) e metatarsofalangeanas (MTF). Os punhos também são frequentemente acometidos. Articulações maiores, como joelhos e ombros, e articulações menos comuns, como a temporomandibular (ATM) e a coluna cervical (C1-C2), também podem ser envolvidas no curso da doença.
Não. As deformidades clássicas, como o desvio ulnar dos dedos, dedos em 'pescoço de cisne' ou em 'botoeira', são manifestações tardias da doença não tratada ou de difícil controle. O objetivo do diagnóstico moderno é identificar a AR na fase de 'janela de oportunidade', antes que o dano estrutural e as deformidades ocorram, permitindo o início precoce de drogas modificadoras do curso da doença (DMCD).
A rigidez matinal é um marcador clínico de inflamação sinovial. Na Artrite Reumatoide, ela tipicamente dura mais de 60 minutos e melhora com a movimentação ao longo do dia. Diferencia-se da osteoartrite, onde a rigidez é fugaz (geralmente menos de 30 minutos). A duração da rigidez matinal é um parâmetro útil para avaliar a atividade da doença e a resposta ao tratamento.
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