INCA - Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (RJ) — Prova 2020
Uma mulher de 48 anos queixa-se de dor e edema nas articulações das mãos, punhos e joelhos há 2 meses. Há dificuldade para movimentar essas articulações nas primeiras 3 horas da manhã. É portadora de adenocarcinoma de pulmão, e está aguardando o início da quimioterapia. O exame físico revela dor à palpação, redução da amplitude de movimento e aumento de volume das articulações metacarpofalangeanas, interfalangeanas proximais, punhos e joelhos. Sem outras anormalidades. Exames de laboratório: Hg: 10,4g/dL; LG: 6.760/mm³; plq: 187.000/mm³; PCR: 15mg/dL; FR: 6UI/mL; antiCCP: 45UI/mL; ácido úrico 8,1md/dL. A partir do caso descrito, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico MAIS PROVÁVEL para essa paciente.
Artrite reumatoide: poliartrite simétrica, rigidez matinal >1h, anti-CCP positivo, mesmo com FR negativo.
A presença de poliartrite simétrica, rigidez matinal prolongada (>30 minutos, aqui 3h) e anti-CCP positivo são critérios diagnósticos para artrite reumatoide, mesmo na ausência de fator reumatoide. O câncer de pulmão é um achado concomitante, mas a apresentação clínica é clássica de AR.
A artrite reumatoide (AR) é uma doença autoimune inflamatória crônica que afeta principalmente as articulações, levando a dor, edema, rigidez e, se não tratada, destruição articular e deformidades. É uma das doenças reumáticas mais comuns, com prevalência global de cerca de 0,5% a 1%. O diagnóstico precoce é crucial para iniciar o tratamento e prevenir danos articulares irreversíveis, sendo um tema frequente em provas de residência. A fisiopatologia da AR envolve a ativação de células imunes e a produção de citocinas pró-inflamatórias, resultando em sinovite e erosão óssea e cartilaginosa. O diagnóstico baseia-se em critérios clínicos (poliartrite, rigidez matinal >30min) e laboratoriais, como elevação de marcadores inflamatórios (PCR, VHS) e presença de autoanticorpos (fator reumatoide e, principalmente, anti-CCP). O anti-CCP é um marcador de alta especificidade e valor prognóstico, indicando maior risco de doença erosiva. O tratamento da AR visa controlar a inflamação, aliviar a dor, prevenir danos articulares e melhorar a qualidade de vida. Inclui anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), glicocorticoides e, fundamentalmente, drogas modificadoras do curso da doença (DMCDs), como metotrexato, leflunomida e biológicos. O acompanhamento regular e a adaptação terapêutica são essenciais para o manejo a longo prazo, sendo a abordagem multidisciplinar um pilar importante.
Os principais critérios incluem poliartrite simétrica de pequenas e grandes articulações, rigidez matinal prolongada (>30 minutos), elevação de PCR/VHS e sorologia positiva para fator reumatoide e/ou anti-CCP.
O anti-CCP é um marcador altamente específico para artrite reumatoide, com valor preditivo positivo elevado, e pode estar presente mesmo em pacientes com fator reumatoide negativo, indicando doença erosiva.
A artrite reumatoide apresenta critérios bem definidos, como poliartrite simétrica e autoanticorpos específicos (anti-CCP). A artrite paraneoplásica pode ser atípica, não ter autoanticorpos específicos e geralmente melhora com o tratamento da neoplasia subjacente.
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