Artrite Reumatoide: Diagnóstico e Tratamento com Metotrexato

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 25 anos vai à consulta na unidade básica de saúde (UBS) com dor articular há 4 meses, edema e vermelhidão nas articulações metacarpo falangeanas e interfalangeanas proximais de ambas as mãos e também em punhos e joelhos. Refere rigidez matinal de 2 horas, mal-estar generalizado e sensação de febre. Nega lesões cutâneas ou alopecia. Fez uso de ibuprofeno, com alívio parcial das dores. Exame físico: à palpação das articulações acometidas presença de dor, espessamento sinovial, sem deformidades. Os exames indicam velocidade de hemossedimentação de 35 mm/hora (valor de referência [VR]: < 20 mm/hora); proteína C reativa de 12 mg/dL (VR: < 6 mg/dL); e fator reumatoide negativo (referência: negativo). Considerando o caso apresentado, assinale a alternativa que indica, respectivamente, o diagnóstico e o tratamento medicamentoso adequados.

Alternativas

  1. A) Osteoartrite; uso de paracetamol.
  2. B) Artrite reumatoide; uso de metotrexato.
  3. C) Esclerose sistêmica; uso de prednisona.
  4. D) Lúpus eritematoso sistêmico; uso de cloroquina.

Pérola Clínica

Poliartrite simétrica > 6 semanas + rigidez matinal > 30 min + ↑ VHS/PCR → Artrite Reumatoide (mesmo FR negativo).

Resumo-Chave

O quadro clínico de poliartrite simétrica, acometendo pequenas e grandes articulações, com rigidez matinal prolongada e marcadores inflamatórios elevados, é altamente sugestivo de Artrite Reumatoide, mesmo com Fator Reumatoide negativo (AR soronegativa). O tratamento inicial de escolha são os DMARDs, como o metotrexato.

Contexto Educacional

A Artrite Reumatoide (AR) é uma doença inflamatória crônica, autoimune e sistêmica, caracterizada por poliartrite simétrica que afeta predominantemente as pequenas articulações das mãos e pés, mas pode acometer outras articulações e órgãos. A epidemiologia mostra uma prevalência de cerca de 0,5-1% da população adulta, sendo mais comum em mulheres e com pico de incidência entre 30 e 50 anos. O reconhecimento precoce é crucial para evitar a progressão da doença e a destruição articular. A fisiopatologia envolve uma resposta autoimune complexa que leva à inflamação sinovial crônica, com proliferação de células e produção de citocinas pró-inflamatórias. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do ACR/EULAR, que incluem número de articulações acometidas, duração dos sintomas, presença de marcadores como Fator Reumatoide (FR) e anticorpos anti-peptídeo citrulinado cíclico (anti-CCP), e elevação de VHS e PCR. É importante suspeitar de AR em pacientes com rigidez matinal prolongada (>30 minutos) e dor em múltiplas articulações. O tratamento da AR visa controlar a inflamação, aliviar a dor, prevenir danos articulares e melhorar a qualidade de vida. Os DMARDs (Disease-Modifying Antirheumatic Drugs) são a base do tratamento, com o metotrexato sendo a primeira escolha na maioria dos casos. Outras opções incluem sulfassalazina, leflunomida e hidroxicloroquina, além de terapias biológicas para casos refratários. O prognóstico melhorou significativamente com o tratamento precoce e agressivo.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios clínicos para o diagnóstico de Artrite Reumatoide?

Os critérios incluem poliartrite simétrica (especialmente pequenas articulações das mãos e pés), rigidez matinal prolongada (>30 minutos), duração dos sintomas por mais de 6 semanas e elevação de marcadores inflamatórios como VHS e PCR.

É possível ter Artrite Reumatoide com Fator Reumatoide negativo?

Sim, cerca de 20-30% dos pacientes com Artrite Reumatoide são soronegativos para Fator Reumatoide e anti-CCP. O diagnóstico nesses casos é baseado principalmente nos critérios clínicos e outros exames laboratoriais.

Por que o metotrexato é o tratamento de primeira linha para Artrite Reumatoide?

O metotrexato é um DMARD (medicamento antirreumático modificador da doença) eficaz em controlar a inflamação, reduzir a progressão da doença e prevenir danos articulares, sendo bem tolerado pela maioria dos pacientes.

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