SES-GO - Secretaria de Estado de Saúde de Goiás — Prova 2025
Leia o caso a seguir: Paciente do sexo masculino, 60 anos, marceneiro, tabagista de longa data, com diagnóstico de Artrite Reumatoide (AR) há 10 anos. Apresenta fator reumatoide em títulos elevados. Recentemente, foi diagnosticado com doença pulmonar intersticial (DPI) com padrão PINE (pneumonia intersticial não específica). Com base no caso acima, considerando que o paciente está medicado com metotrexato em doses máximas, qual é a conduta terapêutica apropriada, considerando a artrite reumatoide e a doença pulmonar intersticial associada?
AR + Doença Pulmonar Intersticial (DPI) → Evitar Anti-TNF; Preferir Rituximabe.
A Doença Pulmonar Intersticial (DPI) é uma grave manifestação extra-articular da AR. O Rituximabe é preferido por sua eficácia articular e perfil de segurança pulmonar superior aos anti-TNF.
A Doença Pulmonar Intersticial (DPI) é a manifestação extra-articular mais comum da Artrite Reumatoide (AR) e uma das principais causas de mortalidade. Os padrões histopatológicos mais comuns são a Pneumonia Intersticial Usual (PIU) e a Pneumonia Intersticial Não Específica (PINE). O diagnóstico precoce via Tomografia de Alta Resolução (TCAR) e Provas de Função Pulmonar é essencial. O desafio terapêutico reside em controlar a inflamação sistêmica sem agravar a lesão pulmonar. Enquanto o metotrexato é a base do tratamento da AR, sua relação com a DPI é complexa. Quando a terapia biológica é necessária, o Rituximabe e o Abatacepte emergem como opções mais seguras e eficazes comparadas aos anti-TNF. Recentemente, inibidores da JAK e antifibróticos (como o Nintedanibe) também têm sido estudados para casos de DPI progressiva associada a doenças autoimunes.
Embora os inibidores do TNF-alfa sejam excelentes para o controle articular da AR, diversos estudos e relatos de caso sugerem que eles podem estar associados à exacerbação ou ao desenvolvimento de novo de doença pulmonar intersticial. Portanto, em pacientes com DPI pré-existente, como o padrão PINE ou PIU, essas drogas são geralmente evitadas em favor de biológicos com melhor perfil de segurança pulmonar.
O Rituximabe, um anticorpo monoclonal anti-CD20, demonstrou ser eficaz tanto no controle da atividade sinovial da AR quanto na estabilização (e às vezes melhora) da função pulmonar em pacientes com DPI associada. É considerado uma das opções de primeira linha para biológicos quando há acometimento pulmonar intersticial significativo.
Historicamente, o metotrexato foi associado à pneumonite por hipersensibilidade aguda. No entanto, evidências recentes sugerem que ele pode não aumentar o risco de DPI crônica e pode até ter um efeito protetor em alguns contextos. Contudo, na prática clínica, se a DPI progride ou se há dúvida sobre toxicidade, a substituição ou associação com agentes como Rituximabe ou Abatacepte é a conduta padrão.
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