SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2023
Paciente feminina, 38 anos, comparece ao atendimento com queixa de dores articulares e inchaço em mãos há cerca de 2 meses. Relata que o quadro é pior pela manhã, ao acordar, e que após cerca de 1 hora começa a melhorar. Ao exame, você nota calor e edema em interfalangeanas proximais do 1o ao 4o dedos bilateralmente, além de punhos. É hipertensa e portadora de hiperuricemia, além de tabagista desde os 20 anos (15 cigarros/dia) e etilista de final de semana. Não pratica atividade física. Paciente relata que a mãe tem “reumatismo” desde jovem que causou deformidades nas mãos. Considerando a hipótese mais provável, qual fator de risco pode estar associado ao quadro?
AR: poliartrite simétrica de pequenas articulações (IFP, MCP, punhos) + rigidez matinal >1h + tabagismo fator de risco.
A apresentação clínica (poliartrite simétrica de pequenas articulações, rigidez matinal prolongada, história familiar) sugere fortemente Artrite Reumatoide. O tabagismo é um dos fatores de risco ambientais mais bem estabelecidos para o desenvolvimento e a gravidade da AR, especialmente em indivíduos geneticamente predispostos.
A Artrite Reumatoide (AR) é uma doença inflamatória crônica, autoimune e sistêmica, que afeta predominantemente as articulações sinoviais, levando à dor, inchaço, rigidez e, se não tratada, à destruição articular e deformidades. É uma das doenças reumáticas mais comuns, com prevalência em torno de 0,5% a 1% da população adulta, sendo mais frequente em mulheres e geralmente iniciando entre os 30 e 50 anos. A fisiopatologia da AR envolve uma complexa interação entre fatores genéticos e ambientais. O diagnóstico é baseado em critérios clínicos (poliartrite simétrica, rigidez matinal prolongada), laboratoriais (fator reumatoide, anti-CCP, VHS, PCR) e de imagem. A rigidez matinal que dura mais de uma hora é um sintoma característico e altamente sugestivo de inflamação articular. Entre os fatores de risco ambientais, o tabagismo se destaca como um dos mais importantes e modificáveis para o desenvolvimento da AR, especialmente em indivíduos com predisposição genética. O tabaco induz a citrulinização de proteínas, que se tornam autoantígenos e desencadeiam a resposta autoimune. Residentes devem estar atentos à história de tabagismo em pacientes com sintomas articulares sugestivos de AR para um diagnóstico e manejo precoces.
A suspeita de AR surge com poliartrite simétrica (especialmente pequenas articulações como IFP, MCF, punhos), rigidez matinal prolongada (>30-60 minutos), dor à palpação e edema articular, e duração dos sintomas > 6 semanas.
O tabagismo é um fator de risco ambiental bem estabelecido, aumentando o risco de desenvolver AR, especialmente em indivíduos com predisposição genética (HLA-DRB1) e naqueles que são soropositivos para anti-CCP.
Além do tabagismo, outros fatores incluem predisposição genética (HLA-DRB1), sexo feminino, história familiar de AR, obesidade e, possivelmente, infecções específicas.
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