Artrite Reumatoide: Diagnóstico Clínico e Manejo Inicial

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2015

Enunciado

Uma mulher de 50 anos de idade, branca, empregada doméstica, procura atendimento ambulatorial por apresentar artralgias de mãos, punhos, ombros e tornozelos há cerca de 4 meses. O quadro articular é aditivo, mesmo em uso de diclofenaco de sódio (150 mg/dia). Ela se queixa de limitação do movimento por dor no período da manhã, com duração de aproximadamente 1 hora. Ao exame encontra-se em bom estado geral, afebril, com sinais de artrite nas articulações inter-falangeanas proximais e metacarpo-falangeanas de 2° e 3° dedos das mãos, mas sem desvios. Ao exame da pele, observam-se “nódulos” subcutâneos nas superfícies extensoras e regiões periarticulares. Considerando o quadro descrito, quais são, respectivamente, o diagnóstico e o medicamento a ser indicado nesse momento?

Alternativas

  1. A) Osteoartrite; azatioprina 1 mg/kg/dia.
  2. B) Artrite psoriásica; sulfasalazina 2 mg/dia.
  3. C) Síndrome de Reiter; prednisona 1 mg/kg/dia.
  4. D) Artrite reumatoide; metrotexate 7,5 mg/semana.

Pérola Clínica

Poliartrite simétrica + Rigidez matinal > 1h + Nódulos subcutâneos → Artrite Reumatoide.

Resumo-Chave

A Artrite Reumatoide é uma doença inflamatória sistêmica crônica. O tratamento padrão-ouro inicial envolve o uso de DMARDs, sendo o Metotrexato a primeira escolha.

Contexto Educacional

A Artrite Reumatoide (AR) é uma doença autoimune caracterizada por sinovite persistente. O caso clínico apresenta uma mulher na faixa etária clássica (40-60 anos) com poliartrite simétrica de pequenas articulações e rigidez matinal prolongada, fechando critérios diagnósticos robustos. A presença de nódulos subcutâneos reforça o diagnóstico de AR soropositiva. O manejo atual preconiza a estratégia 'Treat-to-Target' (T2T), visando a remissão ou baixa atividade da doença. O Metotrexato deve ser iniciado o mais precocemente possível para evitar a destruição articular irreversível. O uso de anti-inflamatórios (como o diclofenaco citado) serve apenas para controle sintomático e não altera a progressão da doença, justificando a necessidade de introduzir um DMARD.

Perguntas Frequentes

Quais são as características da dor articular na Artrite Reumatoide?

A dor na Artrite Reumatoide (AR) tem padrão inflamatório. Isso significa que ela piora com o repouso e melhora com o movimento. Uma característica marcante é a rigidez matinal, que geralmente dura mais de 60 minutos. O acometimento é tipicamente poliarticular (5 ou mais articulações), simétrico e envolve pequenas articulações das mãos (interfalangeanas proximais e metacarpo-falangeanas) e punhos, poupando as interfalangeanas distais.

O que são os nódulos subcutâneos na Artrite Reumatoide?

Os nódulos reumatoides são manifestações extra-articulares comuns, ocorrendo em cerca de 20-30% dos pacientes, quase exclusivamente naqueles com fator reumatoide (FR) positivo. Eles são firmes, indolores e localizam-se geralmente em superfícies de extensão ou áreas de pressão, como o olécrano e a face extensora do antebraço. Sua presença indica doença mais agressiva e maior probabilidade de erosões ósseas.

Por que o Metotrexato é considerado a droga de primeira linha?

O Metotrexato (MTX) é uma Droga Modificadora do Curso da Doença (DMARD) sintética convencional. Ele é preferido devido à sua eficácia comprovada em reduzir a inflamação, prevenir danos estruturais (erosões) e melhorar a função física. Possui um perfil de segurança bem conhecido e baixo custo. A dose inicial costuma ser de 7,5 a 15 mg por semana, sempre acompanhada de ácido fólico para reduzir efeitos colaterais gastrointestinais e hematológicos.

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