HSM - Hospital Santa Marta (DF) — Prova 2021
Uma paciente de 27 anos de idade compareceu ao atendimento ambulatorial com relato de que, há dois meses, iniciou aumento de volume e dor nos punhos e em algumas interfalangeanas proximais; a dor foi aumentando de intensidade com o passar dos dias e surgiu rigidez articular matinal com duração de três horas. Negou febre e outros sintomas. Ao exame físico, apresentava artrite nos punhos e na segunda, terceira e quarta interfalangeanas proximais bilateral. Não foram identificadas outras alterações ao exame físico. Verificaram-se FC = 80 bpm, FR = 18 irpm e SatO2 = 97%. Quanto aos exames laboratoriais, constataram-se hemograma e EAS normais, FAN = 1/160 padrão nuclear pontilhado fino denso, VHS = 45 mm/hora e PCR = 9,2 mg/dL, sendo o valor de referência < 1 mg/dL.Nesse caso, os exames para confirmação da principal hipótese diagnóstica são
Artrite simétrica em pequenas articulações + rigidez matinal >30min + VHS/PCR ↑ → suspeitar AR; confirmar com FR e anti-CCP.
O quadro clínico da paciente (poliartrite simétrica em pequenas articulações, rigidez matinal prolongada, marcadores inflamatórios elevados) é altamente sugestivo de Artrite Reumatoide. Para confirmação diagnóstica, os exames mais específicos são o Fator Reumatoide (FR) e, principalmente, os anticorpos anti-peptídeo citrulinado cíclico (anti-CCP), que possuem alta especificidade e valor prognóstico.
A artrite reumatoide (AR) é uma doença inflamatória crônica autoimune que afeta predominantemente as articulações sinoviais, levando à destruição articular e incapacidade funcional. É caracterizada por poliartrite simétrica, principalmente de pequenas articulações das mãos (interfalangeanas proximais, metacarpofalangeanas) e pés, além de punhos. A rigidez matinal prolongada (geralmente > 30 minutos) é um sintoma cardinal, e a doença pode ter manifestações sistêmicas. O diagnóstico da AR é clínico, apoiado por exames laboratoriais e de imagem. Os marcadores inflamatórios como VHS (velocidade de hemossedimentação) e PCR (proteína C reativa) estão frequentemente elevados, indicando atividade inflamatória. O Fator Reumatoide (FR) é um autoanticorpo presente em cerca de 70-80% dos pacientes, mas não é específico. O anticorpo anti-peptídeo citrulinado cíclico (anti-CCP) é o marcador mais específico para AR, com alta sensibilidade e especificidade, sendo útil no diagnóstico precoce e preditor de doença mais agressiva. No caso apresentado, a paciente tem um quadro clínico típico de AR, com poliartrite simétrica, rigidez matinal prolongada e marcadores inflamatórios elevados. Embora o FAN seja positivo (1/160 pontilhado fino denso), este é um achado inespecífico e não direciona para lúpus como principal hipótese diante da ausência de outros sintomas lúpicos. Portanto, a investigação com FR e anti-CCP é fundamental para confirmar a suspeita de artrite reumatoide e iniciar o tratamento adequado precocemente, visando prevenir a progressão da doença e o dano articular.
A rigidez matinal com duração superior a 30 minutos (e na paciente, 3 horas) é um sintoma clássico e altamente sugestivo de artrite inflamatória, especialmente artrite reumatoide, diferenciando-a de condições mecânicas.
O anti-CCP possui alta especificidade para artrite reumatoide, sendo um marcador precoce da doença e um preditor de erosões articulares, auxiliando no diagnóstico diferencial e na avaliação prognóstica, mesmo em pacientes FR negativos.
Não necessariamente. O FAN positivo é um achado comum em doenças autoimunes, incluindo artrite reumatoide, mas não é específico para lúpus. Para o diagnóstico de lúpus, são necessários outros critérios clínicos e laboratoriais, como anti-DNA nativo e anti-Sm.
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