SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2015
Um paciente de trinta e cinco anos de idade compareceu a um ambulatório de clínica médica apresentando quadro clínico constituído por episódios intermitentes de dor, rigidez, edema e calor nos joelhos e nos tornozelos. O paciente relatou, ainda, que esses sinais e sintomas ocorriam pela manhã e duravam cerca de quatro horas. No exame físico, constatou-se que o paciente apresentava dor associada a sinais flogísticos na articulação do joelho direito. No prontuário do paciente, o resultado do hemograma indicava hemoglobina de 11 g/dl; hematócrito de 34%; hemácias de 4.000.000/mm³; leucócitos com número absoluto e diferencial normal para o sexo e faixa etária do paciente; plaquetas de 250.000/mm³ e VHS de 90 mm/h. Com base nesse caso clínico, julgue o item a seguir. Uma das orientações que devem ser dadas a esse paciente é de que ele mantenha absoluto repouso da articulação quando da exacerbação dos sinais inflamatórios articulares.
Artrite inflamatória → Repouso absoluto é contraindicado; priorizar mobilização precoce para evitar anquilose.
Embora o repouso relativo seja indicado em crises agudas, o repouso absoluto é prejudicial, pois favorece a rigidez articular, atrofia muscular e perda funcional.
O quadro clínico descrito — poliartrite simétrica ou aditiva de grandes e pequenas articulações, rigidez matinal prolongada e marcadores de fase aguda elevados (VHS 90 mm/h) — é altamente sugestivo de uma artropatia inflamatória crônica, como a Artrite Reumatoide. O manejo não farmacológico é pilar essencial do tratamento. A evidência científica demonstra que a imobilização prolongada resulta em perda de massa óssea (osteoporose justarticular) e encurtamento tendíneo. Portanto, o médico deve educar o paciente sobre a importância de manter a mobilidade, utilizando órteses apenas se necessário para estabilização temporária, mas nunca prescrevendo o repouso total como medida terapêutica principal.
O repouso absoluto em pacientes com artrite inflamatória, como na Artrite Reumatoide, leva rapidamente à atrofia muscular periarticular e à rigidez articular (anquilose funcional). A fisiopatologia da inflamação sinovial envolve a proliferação de tecido que, se não mobilizado, organiza-se em aderências. A recomendação atual foca no repouso relativo durante o pico inflamatório, alternado com exercícios de amplitude de movimento passivos ou ativos leves para manter a lubrificação sinovial e a integridade dos tecidos moles.
A rigidez matinal inflamatória, característica de doenças como a Artrite Reumatoide, dura tipicamente mais de 30 a 60 minutos (neste caso, relatada como 4 horas). Ela melhora com o movimento e o calor. Já a rigidez mecânica, comum na osteoartrite, é breve (geralmente menos de 30 minutos) e tende a piorar com o uso excessivo da articulação ao longo do dia. O tempo de rigidez é um marcador clínico fundamental para diferenciar processos autoimunes de processos degenerativos.
Na fase de exacerbação (flare), o objetivo é proteger a articulação sem imobilizá-la. Deve-se evitar exercícios de alto impacto ou carga excessiva, mas incentivar movimentos de alongamento e manutenção da amplitude. Assim que a inflamação cede (redução de calor e edema), deve-se progredir para exercícios isométricos e, posteriormente, isotônicos para fortalecer a musculatura estabilizadora, reduzindo o risco de danos estruturais a longo prazo.
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