Artrite Reumatoide: Diagnóstico e Conduta Inicial

SMS-SP - Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo — Prova 2019

Enunciado

 Mulher, 40 anos, procura assistência básica por conta de poliartrite de pequenas articulações de mãos e punhos, pés e tornozelos associada à rigidez matinal acima de uma hora há seis meses, que não responde ao uso de antiinflamatórios não esteroidais (AINES). Há dois meses notou aparecimento de nódulo endurecido na parte extensora do antebraço. Relata ainda perda de peso não quantificada e estado febril vespertino. Pai falecido por Tuberculose, marido com diagnóstico de Hanseníase, e acha que prima distante tem Lúpus e outra, Tireoidopatia. Qual a sua conduta diagnóstico-terapêutica inicial?

Alternativas

  1. A) Artrite reumatoide – solicitar fator reumatóide e, caso negativo, anti-CCP, e RX de mãos/punhos – prescrever doses baixas de corticosteroides (CE).
  2. B) Hanseníase, forma tuberculoide – solicitar VHS e PCR – tratar doença de base e prescrever doses elevadas de CE.
  3. C) Artrite de Poncet – solicitar PCR e RX de tórax – otimizar AINES e tratar doença de base.
  4. D) Lúpus eritematoso sistêmico – solicitar FAN e Anti-DNA – prescrever doses elevadas de CE.
  5. E) Hipertireoidismo – solicitar FAN e Anti-TPO e anti-TG, TSH, T3 e T4 livre – prescrever beta-bloqueadores, propiltiouracil e doses baixas de CE.

Pérola Clínica

Poliartrite simétrica pequenas articulações + rigidez matinal > 1h + nódulos + sintomas sistêmicos → Artrite Reumatoide.

Resumo-Chave

A apresentação clínica de poliartrite simétrica de pequenas articulações, rigidez matinal prolongada, nódulos subcutâneos e sintomas sistêmicos é altamente sugestiva de Artrite Reumatoide. O diagnóstico envolve exames sorológicos (FR, anti-CCP) e radiográficos, e o tratamento inicial frequentemente inclui corticosteroides em baixas doses para controle da inflamação.

Contexto Educacional

A Artrite Reumatoide (AR) é uma doença inflamatória crônica autoimune que afeta predominantemente as articulações sinoviais, levando à destruição articular e incapacidade funcional. É mais comum em mulheres de meia-idade e sua prevalência global é de cerca de 0,5% a 1%. O diagnóstico precoce e o tratamento agressivo são fundamentais para prevenir danos articulares irreversíveis. A apresentação clínica típica inclui poliartrite simétrica de pequenas articulações (mãos, punhos, pés), rigidez matinal prolongada (> 1 hora), dor e edema articular. Sintomas sistêmicos como fadiga, perda de peso e febre baixa são comuns. Nódulos reumatoides podem aparecer em superfícies extensoras. O diagnóstico é baseado em critérios clínicos, exames laboratoriais (Fator Reumatoide, anti-CCP, VHS, PCR) e radiografias das articulações afetadas. A conduta terapêutica inicial visa controlar a inflamação, aliviar a dor e prevenir a progressão da doença. Isso geralmente envolve o uso de anti-inflamatórios não esteroidais (AINES) para alívio sintomático, corticosteroides em baixas doses para controle rápido da inflamação e, crucialmente, o início precoce de drogas modificadoras do curso da doença (DMCDs), como o metotrexato, para alterar a história natural da AR.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para Artrite Reumatoide?

Os critérios do ACR/EULAR incluem envolvimento articular, sorologia (FR e anti-CCP), reagentes de fase aguda (VHS, PCR) e duração dos sintomas (> 6 semanas), com pontuação para classificar a doença.

Qual a importância do anticorpo anti-CCP no diagnóstico da Artrite Reumatoide?

O anti-CCP é um marcador sorológico altamente específico para Artrite Reumatoide, com boa sensibilidade, e pode ser positivo em fases precoces da doença, além de ser um preditor de maior gravidade e progressão de erosões articulares.

Quando iniciar corticosteroides no tratamento da Artrite Reumatoide?

Corticosteroides são frequentemente usados no início do tratamento ou durante exacerbações para controlar rapidamente a inflamação e a dor, enquanto as drogas modificadoras da doença (DMCDs) ainda não atingiram seu efeito terapêutico completo.

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