TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2025
Qual das alternativas abaixo é verdadeira em relação à fisiopatologia da artrite reumatoide?
Artrite Reumatoide = Sinovite mediada por células T/B + Autoanticorpos (FR e Anti-CCP) + Citocinas (TNF-α, IL-1, IL-6).
A AR é uma doença autoimune sistêmica onde a perda de tolerância imunológica leva à ativação de linfócitos B e produção de autoanticorpos, resultando em sinovite crônica e destruição articular.
A Artrite Reumatoide (AR) é o protótipo da doença inflamatória articular crônica. Sua fisiopatologia envolve uma complexa interação entre imunidade inata e adaptativa. O 'pannus' reumatoide — um tecido sinovial hiperplásico e invasivo — é o resultado final de uma cascata iniciada por linfócitos T CD4+ Th1 e Th17, que recrutam macrófagos e estimulam linfócitos B. A compreensão desses mecanismos é fundamental, pois permitiu o desenvolvimento de terapias biológicas (como anti-TNF e anti-CD20) que revolucionaram o prognóstico dos pacientes, focando na interrupção dessas vias específicas.
As células B desempenham múltiplas funções críticas na patogênese da AR. Elas atuam como células apresentadoras de antígenos (APCs) para os linfócitos T, produzem citocinas pró-inflamatórias e, fundamentalmente, diferenciam-se em plasmócitos que secretam autoanticorpos, como o Fator Reumatoide (FR) e os Anticorpos contra Proteínas Citrulinadas (Anti-CCP). Esses anticorpos formam imunocomplexos que ativam o sistema complemento, amplificando a inflamação sinovial e a destruição tecidual.
As citocinas pró-inflamatórias dominam o microambiente sinovial na AR. O TNF-alfa (Fator de Necrose Tumoral), a Interleucina-1 (IL-1) e a Interleucina-6 (IL-6) são as principais responsáveis pela ativação de osteoclastos e liberação de metaloproteinases de matriz pelos sinoviócitos, o que leva à erosão óssea e degradação da cartilagem. Citocinas anti-inflamatórias, como a IL-10, estão geralmente em níveis insuficientes para contrapor esse processo.
Embora haja uma forte predisposição genética (especialmente o epítopo compartilhado no HLA-DRB1), fatores ambientais são cruciais para o gatilho da doença. O tabagismo é o fator de risco ambiental mais bem estabelecido, pois promove a citrulinização de proteínas nas vias aéreas, o que, em indivíduos geneticamente suscetíveis, pode levar à quebra da tolerância imunológica e produção de Anti-CCP anos antes do início dos sintomas articulares.
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